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O filme Anahy de las Missiones, de Sergio Silva, já foi visto
por 15 mil espectadores em apenas uma semana no Rio Grande do Sul - a mesma marca
alcançada pela comédia romântica estrelada por Julia Roberts (O casamento do meu
melhor amigo). Ponto para o cinema nacional. Ou melhor, para o cinema gaúcho. Anahy
de las Missiones estreou na última quinta-feira, na Première Brasil da MostraRio,
trazendo ao público carioca as paisagens e sotaques sulistas deste que já se torna um
cult regionalista.
Anahy de las Missiones é a personagem vivida por Araci Esteves,
uma matriarca típica, endurecida pela vida, que luta com os filhos (Marcos Palmeira, Dira
Paes, Fernando Alves Pinto) para sobreviver em meio à Guerra dos Farrapos. O ano é 1839.
Ela percorre o cenário da batalha com o clã sob sua saia e rédea, e acaba descobrindo
um único ganha-pão: saquear os mortos e vender seus pertences estrada afora. Há cenas
tocantes, em que a família mais parece uma revoada de abutres.
Mas há poesia na aridez dessa terra-de-ninguém. A história de Anahy
é intrigante. E ficcional. O diretor Sergio Silva e o roteirista Gustavo Fernandez
criaram toda a saga dessa heroína a partir de Anahy, uma lenda famosa na região das
Missões. Da lenda, só restou o nome de Anahy. Era a história de uma índia que
saqueava os mortos, mas acabou queimada num combate entre tribos, conta Sergio. Foi
apenas o ponto de partida para uma trama de ficção histórica, rodada em Uruguaiana, na
região dos Pampas, em Caçapava e na Fortaleza do Cambará, um belíssimo canyon entre o
Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
O filme de Sergio Silva revela a cultura gaúcha, os farrapos, as
bombachas, as paisagens, os acentos. O diretor fez questão de usar um gauchês típico do
século passado. Quis ser fiel àquele tempo, usando uma linguagem do Sul com
interferências do português arcaico, influências dos açorianos e espanholismos,
resume Sergio, que chegou a pensar em pôr legenda no filme para não atrapalhar a
compreensão da trama fora do circuito gaúcho.
Em tempo: Anahy de las Missiones é o primeiro longa-metragem de
Sergio Silva, que estreou na direção com o curta Não tem sentido (1969). Outros
dois curtas, Festa de casamento (1990) e O Zeppelin passou por aqui (1993),
lhe renderam prêmios em vários festivais internacionais.  |