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Yasujiro Ozu
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O cultuado cineasta japonês nasceu em Fukugawa, um trecho antigo de
Tóquio, em 1903 - coincidência ou não, no mesmo ano em que o primeiro cinema foi
inaugurado no Japão. Filho de um comerciante agrícola sempre ausente, Ozu foi criado
pela mãe com os olhos grudados na evolução do cinema. Chegou a ser expulso do colégio
porque faltava às aulas para ver Charles Chaplin.
Antes dos 20 anos, Ozu já escrevia para os Benshi, os narradores
de filmes mudos. Em 1923, ingressou na Companhia Cinematográfica Sochiku como assistente
de fotografia e permaneceu ali até o fim da vida. Seu primeiro filme, A espada da
penitência, era um jidaigeki, filme de época. Foi o primeiro de uma série de
títulos premiados.
Só a guerra sino-japonesa, em 1937, retirou Ozu do caminho do cinema
por um tempo, mas seus diários de guerra serviriam de inspiração para roteiros futuros.
Foi graças a outra batalha, o envolvimento do Japão na Guerra do Pacífico, que Ozu teve
acesso ao cinema americano, Orson Welles e cia. Ele foi enviado a Singapura para realizar
filmes de propaganda e conseguiu assistir às fitas americanas que eram geralmente
apreendidas.
Yasujiro Ozu também aderiu ao movimento de independência da Índia e
chegou a realizar documentários sobre o tema, mas a chegada de tropas inglesas obrigou-o
a destruir as cópias. Graças à façanha, foi condenado a trabalhos forçados como
prisioneiro. Só depois dessa série de percalços e guerras, o cineasta se veria livre
para retomar e consolidar uma carreira que conquistaria o Ocidente. |