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Pai e filha

Relato de um proprietário

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Ozu é o diretor mais cult dessa IX MostraRio.
Mereceu uma seleção especial só com seus filmes, A rotina tem seu
encanto, e tornou-se um dos nomes mais comentados nesse corre-corre
entre salas de cinema. Seu estilo zen, o tempo contado em horas orientais,
as histórias que vêm do outro lado da cultura: são muitos os caminhos
que levam à cinematografia do japonês Yasujiro
Ozu.
Assistir aos filmes de Ozu é quase acreditar que a rotina tem seu
encanto. Tudo é exaustivamente trabalhado, há uma lentidão e paciência típicas do
lado direito do globo. O diretor é um carpinteiro de tramas marcadas por conflitos, mas
filmadas sem afobação. São 53 títulos, enfocando temas como a velhice e a solidão. Um
belo exemplar dessa safra é Pai e filha, de 1949, sobre um viúvo às voltas com a
devoção de sua filha solteira. A certa altura, o homem se vê obrigado a fingir que
arrumou outra mulher para a moça seguir seu caminho. Uma ode ao amor em família.
Outro de seus títulos, Relato de um proprietário, de 1947, é
menos sentimental e mais divertido. É sobre uma mulher que, ao envelhecer, se vê
responsável por uma criança abandonada. E há ainda um Ozu histórico: o primeiro filme
colorido do cineasta japonês, Flor do equinócio, de 1958. Em foco, duas
adolescentes tentam escapar do destino imposto por seus pais com casamentos arranjados.
Para justificar o título da mostra, vale um olhar especial
em A rotina tem seu encanto, o último filme de Ozu, realizado
um ano antes de sua morte. É o epílogo de 60 anos de estrada e traz
novamente à tona a relação entre pai e filha: ele a entrega a um marido
escolhido. Sinal dos tempos, essa trama é mais solta, leve, e enfoca
o Japão dos anos 60, com muitas fábricas, fumaça e neon. Em tempo: os
filmes de Ozu são exibidos nessa MostraRio
com legendas em inglês.
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