"Hanabi" em japonês
significa fogos de artifício, mas da maneira como está escrito no título, com um hífen
, tem se dois significados distintos e antagônicos que estão presentes em todo o
decorrer do filme . "Hana" quer dizer flor e "bi" fogo e estas duas
figuras são marcas registradas de Kitano, que adora misturar hiper-violência e ternura.
"Acho que o homem violento é capaz de manifestações delicadas que o humanizam. Por
isso gosto de alternar as duas coisas" diz o diretor, que também escreve o
argumento, monta o filme e vive o protagonista da história. Seus filmes são polêmicos e
misturam dois mundos reais e distintos; o Japão das tradições e o Japão moderno.
Os quadros pintados por Horibe no filme são na realidade feitos por Kitano e têm
grande espaço e importância na história. São um misto de pintura Naïf com
surrealismo. Neles estão presentes as flores do título ( bichos e pessoas com cabeças
de flor) e através deles são mostrados o estado de espírito de Horibe e a viagem que
Nishi está fazendo com a esposa. Tudo aparece contemplativamente com closes nos desenhos
cortados para a ação de Nishi, ou vice-versa.
Em 95 Kitano sofreu um grave acidente de moto e uma das seqüelas foi uma paralisia
facial irreversível. Isto tornou sua figura enigmática e sua interpretação para a
personagem Nishi ficou ainda mais instigante. A frieza das atitudes de Nishi chega a ser
incômoda , sem mudar a expressão ele comete atitudes extremamente violentas, como furar
o olho de um mafioso com um Rashi (palito de comida japonesa) ou descarregar um revólver
em um bandido já morto. E é com a mesma expressão que ele passa toda a viagem com a
mulher, uma espécie de segunda lua-de-mel onde ele delicadamente realiza todas as
vontades da esposa.
O sangue pode aparecer quase que jogado na cara do espectador sem qualquer aviso
prévio e logo em seguida o público pode ser levado por um passeio através de pinturas
coloridas e ingênuas. Coisas de Kitano.