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Encontro com o cinema português: seminário que reuniu, no Rio de Janeiro, de 29 de abril a 1º de maio, profissionais de cinema portugueses e brasileiros, dos setores da produção, distribuição e exibição, e dos canais de televisão. O objetivo primeiro deste seminário foi proporcionar o conhecimento mútuo entre os profissionais dos dois países, no sentido de exporem suas realidades e, a partir disto, possibilitar o desenvolvimento de projetos comuns, com vista à criação de um mercado alargado de língua portuguesa para o cinema e o audiovisual. Brasil e Portugal já dispõem, desde 1997, de um protocolo de cooperação cinematográfica que possibilitou, em dois anos, a co-produção de oito filmes de longa-metragem. Todavia, nas áreas da distribuição e exibição, bem como, da televisão, faltam instrumentos capazes de fazer circular as produções dos dois países. O seminário foi organizado em três mesas temáticas, com a seguinte composição: 1. Co-produções cinematográficas entre Portugal e Brasil
2. Distribuição e exibição cinematográfica
3. A relação das televisões com o cinema
Estiveram, também, presentes aos debates, entre outros:
O Seminário O encontro entre profissionais portugueses e brasileiros, para além de avaliar as situações atuais de mercado, serviu para deixar clara a existência de interesses comuns e reafirmar a importância de estreitar o relacionamento entre as duas cinematografias. Durante os três dias de debate, traçou-se um panorama dos problemas e perspectivas para o cinema nos dois países: Em Portugal existe, desde há três anos, um nível de produção estável (10/12 filmes por ano), as salas de cinema comerciais exibem toda a produção nacional, em alguns casos com enorme sucesso de bilheteria, e as televisões, pública e privada, investem financeiramente e na promoção dos filmes nacionais. O número de telas tem aumentado substancialmente graças à construção de multiplex, resultando no crescimento do público (cerca de 15 milhões de ingressos vendidos para uma população de 10 milhões). O cinema brasileiro, nos últimos 4 anos, viveu um período de fortalecimento de sua produção graças, principalmente, à Lei do Audiovisual. Hoje, produz-se, em média, 20 filmes por ano. O setor de exibição também passa por um processo de ampliação e modernização, com a abertura dos conjuntos multiplex em diversas cidades do país e um considerável aumento do público. No entanto, faltam políticas públicas e recursos direcionados à promoção e distribuição, capazes de garantir a presença da produção nacional nas salas de cinema, competindo em condição de igualdade com o produto estrangeiro. Com exceção de algumas experiências pontuais, não há a participação financeira efetiva das televisões na indústria cinematográfica. Apesar do tratado de cooperação acima mencionado, os filmes portugueses não são vistos pelo público brasileiro e vice-versa, mesmo quando se trata de co-produções entre os dois países. Tal como já existem instrumentos e incentivos públicos de apoio às co-produções, houve um consenso entre os participantes sobre a necessidade de serem criados mecanismos nos dois países que facilitem a circulação nas salas - e a difusão televisiva - dos filmes portugueses e brasileiros. Neste domínio, algumas idéias destacaram-se: - a circulação das produções brasileiras e portuguesas deve passar duma perspectiva meramente cultural para uma lógica comercial; - ações isoladas, por si só, não resultam, sendo fundamental a existência de mecanismos que assegurem a presença contínua e sistemática dessas produções em ambos os países; - iniciativas como a realização regular de Mostras Informativas no Brasil e em Portugal são importantes e bem-vindas, para atrair atenção do público, mas devem fazer parte de um programa mais abrangente de lançamento dos filmes; - o potencial de circulação dos filmes deve ser desenvolvido tendo como protagonistas todos os intervenientes interessados: produtores, distribuidores, exibidores e canais de televisão; - o mercado deve ser pensado para além das fronteiras de Brasil e Portugal, estendendo-se para os demais países e comunidades de língua portuguesa espalhados pelo mundo; - devem ser os profissionais a ter o impulso de se associarem em projetos comuns, cabendo às autoridades cinematográficas acompanhar e apoiar o desenvolvimento dos mesmos; - foi sugerida a criação de um consórcio bi-lateral de distribuição e promoção que possa ter acesso a recursos financeiros dos dois países; - é fundamental encontrar soluções para dinamizar o papel das televisões dos dois países no financiamento e veiculação das obras cinematográficas nacionais; - há que se encontrar caminhos para que as televisões atuem, também, como via de mão dupla, as de Portugal apostando também nas produções brasileiras e vice-versa; - face às dificuldades de penetração e afirmação de nossas cinematografias nos grandes mercados mundiais, foi considerado relevante criar um mercado anual do filme e audiovisual lusófono. Por fim, como conclusão deste Seminário, foi considerada fundamental a realização periódica de encontros de profissionais dos dois países - devendo o próximo realizar-se em Portugal ainda este ano - assim como, a convocação da comissão mista prevista no Acordo Cinematográfico Luso-brasileiro (artigos 6º e 10º) para encaminhar novas linhas de ação com vistas ao fortalecimento do mesmo. Rio de Janeiro, 3 de maio de 1999 Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimedia de Portugal Grupo Estação
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