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Todo mundo sabe que a lei do audiovisual ajudou a retomada do cinema brasileiro.
Atualmente, cerca de 40 filmes nacionais estão em produção, prontos ou em fase de
pós-produção. Mas quantos destes filmes chegarão as telas de cinema ? E depois de
tudo, quanto tempo conseguirão ficar em cartaz, ou quantos espectadores terão? Neste
momento a produção brasileira precisa dar visibilidade interna e externa. Para debater
esse problema, foi promovido o I Seminário Sundance / RioFilme de Marketing,
Distribuição e Exibição, que aconteceu nos dias 14 e 15 deste mês de abril na
Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.
O seminário faz parte do Fórum de Produtores no Mercosul, realizado pelo
Sundance Institute. O Sundance Institute é responsável pelo Sundance Film Festival e há
18 anos realiza laboratórios, conferências, seminários e workshops, sempre com o
intuito de aperfeiçoar e desenvolver o cinema independente e os cinemas nacionais. O
evento foi organizado em painéis onde cada palestrante falou sobre seus trabalhos e
projetos para um público formado basicamente por profissionais da indústria
cinematográfica brasileira.
O encontro se caracterizou pelo intercâmbio de idéias e experiências. "A
lei do audiovisual não basta, são necessárias novas formas de incentivo de produção.
O grande lance deste seminário é poder fazer um link com o exterior , conhecer como as
coisas funcionam em outros países e fazer contatos para, quem sabe no futuro, realizar
co-produções", comenta Elisa Tolomelli, produtora executiva de Central do Brasil,
que estava assistindo aos painéis. "Nós estamos carentes de informação e aqui
estão surgindo muitas idéias novas. Agora temos é que colocar em prática tudo que
está sendo dito estes dias", disse Tarcísio Vidigal produtor do filme O Menino
Maluquinho 2, que também estava na platéia.
As expectativas de José Carlos Avellar, presidente da RioFilme e um dos
organizadores do evento, foram plenamente correspondidas. "A nossa intenção era
reunir profissionais para debaterem suas experiências e permitir que os produtores
nacionais se comunicassem com os de outros países e que assim pudessem fazer troca de
filmes e talentos. Temos que ver no cinema suas expressões nacionais que apesar de
diferentes em cada país são o que une os cinemas independente", diz Avellar, que
informou também estar começando um acordo de troca de filmes com o Uruguai, o México, e
outros países da América Latina.
Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores de cinema nacional, põe em
dúvida a política do Sundance para a América Latina: "O Sundance tem que se
definir, temos que saber se eles vão nos limitar ao gueto do cinema experimental ou se
eles querem compartilhar o cinema latino americano no sentido de conquistar espaço no
mercado dos EUA. Ele têm que nos ajudar a avançar neste mercado enorme, não queremos
ficar fazendo só filmes exóticos que sejam vistos apenas em salas de cinemateca. Temos
que romper a barreira dos festivais. Não estou falando do grande mercado, e sim do de
filme de qualidade artística, que arrecada de 20 a 30 milhões de dólares por ano. Neste
seminário temos que buscar parceiros e meios para ter acesso à este público".
E os americanos o que pensam de tudo isso? "Este encontro é vital e é uma
via de mão-dupla. É bom para os brasileiros escutarem as experiências dos americanos e
latinos e bom para estes verem os problemas brasileiros e aprenderem com suas
soluções", disse
Clifford Werber, vice-presidente de aquisições internacionais da Warner
Brothers Pictures, e convidado para palestrar sobre seus contatos com diversos trabalhos
do mundo todo ao longo de mais de dez anos de profissião. Rebecca Yeldham, programadora
do Sundance Film Festival e assistente de programas especiais do Sundance Institute,
explica que é parte do programa do instituto dar suporte às iniciativas nacionais:
"acreditamos na qualidade da produção latino americana e esperamos que através
deste seminário possam surgir oportunidades de exibição em outros países e que desta
foram possa se fortalecer a base de produção".
Como foi o seminário:
No Painel I Cinemas do Mercosul - os brasileiros Luiz Carlos
Barreto, José Carlos Avellar e José Alvaro Moisés, entre outros, e os presidentes dos
Sindicatos dos Produtores Argentinos ( David Blaustein) e Mexicanos ( Jorge Sanchez )
debateram sobre as situações de financiamento, produção e distribuição dos cinemas
nacionais no Mercosul, comparando as diferentes experiências, padrões e estruturas.
No Painel II - Exibição no Mercosul estavam entre os
palestrantes Wilson Cunha, diretor do Canal Brasil; Rubens Ewald Filho, diretor de
Produção e Programação do HBO; Marc Beuchamps, presidente da Lumiére; e o argentino
Diego Lerner, Presidente da Walt Disney na América Latina. Eles falaram sobre exibição
de filmes no Brasil e no Mercosul, contrastando a distribuição de filmes independentes
locais e produtos de grandes estúdios.
O Painel III Fórum de Financiamento e Desenvolvimento de Projetos-
foi a vez dos americanos discutirem o financiamento internacional e as oportunidades de
co-produção para cineastas do Mercosul. Entre os expositores estavam Geoffrey Gilmore,
Co-Diretor do Festival de Sundance e Diretor de Programas Especiais do Instituto Sundance;
Tom Garvin produtor executivo e consultor de marketing e de assuntos jurídicos para
diversos cineastas independentes, sua atividade mais recente de co-produção foi como
Produtor Executivo de Central do Brasil; Clifford Werber produtor e vice-presidente
de aquisições internacionais da Warner Brothers Pictures, responsável pela
co-produção de Orfeu; e Michael Baker co-presidente da Sony Pictures Classics. No quarto
fórum, sobre marketing e distribuição, basicamente os mesmos palestrantes do terceiro
falaram sobre o mercado internacional destacando o marketing e a distribuição de filmes
latino-americanos nos Estados Unidos, Europa e territórios de língua portuguesa e
espanhola.
Na quinta-feira o dia começou com um fórum de documentários, onde
se tratou sobre as formas de financiamento, marketing e distribuição
de documentários sob pontos de vista globais e regionais. Seguiu-se
uma discussão sobre co-produções na América Latina com base em casos
já conhecidos, como O Toque do Oboé, de Cláudio Mac Dowell, e
O Evangelho das Maravilhas, do mexicano Arturo Ripstein. Depois
foi a vez de um debate sobre produções de baixo orçamento, suas dificuldades
e oportunidades. E ainda uma mesa especial sobre Central do Brasil.
O seminário se encerrou com um debate aberto sobre o Cinema no Mercosul.
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