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Em março deste ano, quando o grupo CIMA,
realizador do antigo Rio Cine, e o grupo Estação, responsável pela MostraRio,
resolveram anunciar uma junção de forças para fazer o maior festival de cinema da
América Latina, o Festival do Rio, sabiam o que estavam dizendo, mas não eles esperavam
o que aconteceu; os números e as críticas do primeiro Festival do Rio superaram
expectativas. Foram quase 115 mil espectadores; 1400 sessões; 25 salas, sendo que uma, o
Cine Odeon, foi recuperada do abandono para virar palácio do Festival; 500 títulos, dos
quais 290 longas internacionais; 15 mil pessoas na praia de Copacabana para a mostra O
Bonequinho Viu; e dezenas de convidados internacionais, entre artistas, diretores,
produtores, jornalistas e investidores.
Os dez títulos mais vistos somam um total de 30.134 espectadores, mas esta não
foi a principal surpresa pois entre estes dez estão os filmes mais esperados e
divulgados, as novidades mesmo ficaram com os filmes que não tinham grande destaque e que
passaram sem legendas e mesmo assim lotaram as salas do Estação Botafogo, que foram
programadas justamente para estes filmes menos conhecidos; outra surpresa positiva foram
as sessões do Cine Brasil no Art Unigranrio, em Duque de Caxias, onde estavam passando os
filmes nacionais da década de 90, muitas sessões literalmente lotaram e a média geral
foi excelente e progressiva. "Ficamos muito satisfeitos com os resultados da mostra
Cine Brasil. O crescimento do público de uma semana para outra mostra que a empreitada de
se passar cinema brasileiro em lugares que ele não tem chegado foi bem recebida,"
conta Marcelo Mendes, diretor de programação do Festival.
Quem acha que a nova dimensão do Festival é prejudicial ao espectador, pois é
humanamente impossível de se ver tudo, deve relaxar. "Os 290 filmes internacionais
que passamos não chega a ser um número absurdo, os grandes festivais internacionais às
vezes chegam a ter 400 ou 500 longas, e é claro que a intenção não é ver tudo.
Queremos que o espectador possa ter mais informação sobre o filme para poder escolher um
de acordo com seu perfil. No próximo ano queremos investir mais em divulgação e
informação para que fique mais fácil a identificação do espectador com o filme que se
enquadra a ele. Percebemos a necessidade da informação porque este ano os poucos filmes
que receberam críticas nos jornais tiveram suas sessões lotadas. Mas é claro que a
divulgação boca-a-boca é fundamental em um festival", explica Marcelo Mendes.
A parceria entre os produtores do evento e seus principais patrocinadores parece
ter dado certo e tem tudo para se repetir. "Em nossas visitas a outros grandes
festivais mundo a fora vimos que todo grande evento precisa de ter uma parceria sólida
com seus patrocinadores; este festival só aconteceu por causa deles e o próximo também
dependerá disso," disse Walkíria Barbosa, uma das diretoras do Festival, durante a
festa de encerramento na noite do dia 30 de setembro no Cine Odeon. Graças principalmente
ao apoio dos patrocinadores, o Festival do Rio teve condições de trazer convidados do
mundo inteiro para apresentar seus filmes, como o ator norte-americano Forest Whitaker e o
diretor espanhol Carlos Saura. Mas as visitas não foram só de astros mas também de
representantes de distribuidoras internacionais, jornalistas, investidores e técnicos da
industria cinematográfica.
Entre Ghost Dog, de Jim Jarmusch, filme da noite de abertura no dia 16 de
setembro, e Goya, de Carlos Saura, filme de encerramento, muita coisa rolou e os
mais diversos filmes foram projetados. A maior bilheteria, 4.318 espectadores, ficou por
conta do esperado Tudo Sobre Minha Mãe, de Almodóvar, que este ano ganhou o
prêmio de Melhor Diretor do Festival de Cannes. O filme seguinte do ranking também é
espanhol, Tango, de Carlos Saura. O único filme entre os dez mais que ainda não
tem seus direitos comprados para exibição no Brasil é Buena Vista Social Club,
de Win Wenders.
O Festival acabou oficialmente mas até quinta-feira a maratona continua no Cine
Odeon e no Estação Museu da República com a mostra Segunda Chance. Depois do definitivo
término do Festival o Cine Odeon continuará a ser programado pelo grupo Estação, com
uma pausa de novembro a janeiro para reformas. Antes de fechar para as obras o Odeon ainda
receberá Tudo Sobre Minha Mãe, que entra em cartaz na semana que vem e fica até
dia 28, quando sai para dar lugar a O Primeiro Dia, de Walter Salles e Daniela
Thomas. Veja, abaixo, a lista das dez maiores bilheterias do Festival do Rio 99.
Os Dez Mais |
| Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar |
4.318 |
| Tango, de Carlos Saura |
4.087 |
| Corra Lola, Corra, de Tom Twyker |
3.552 |
| A Fortuna de Cookie, de Robert Altman |
3. 027 |
| Ghost Dog, de Jim Jarmusch |
3.003 |
| Buena Vista Social Club, de Win Wenders |
2.637 |
| Meu Nome é Joe, de Ken Loach |
2.637 |
| Zona de Conflito, de Tim Roth |
2.358 |
| Cadete Winslow, de David Mamet |
2.294 |
| EXistenZ, de David Cronenberg |
2.221 |

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