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Segunda chance

Alice Gomes

O Festival do Rio 99 já está em seu último dia e o espectador que ainda não estiver satisfeito tem uma última chance para assistir aos filmes que deixou escapar. É a "repescagem" do Festival, que estará em cartaz no cine Odeon, no Estação Museu da República e no Espaço Unibanco 3, neste último somente em algumas sessões. A mostra Última Chance vai até a próxima quinta-feira, dia 7 de outubro, e quem perder desta vez não adianta chorar e dizer que a gente não avisou.

Os filmes não são necessariamente os de maior bilheteria, pelo contrário; os filmes que mais tiveram público já estão, em sua maioria, com os direitos de exibição no Brasil comprados por diferentes distribuidoras, grandes ou independentes, nacionais ou internacionais. Mas é claro que exceções acontecem e alguns que tiveram todas as sessões lotadas voltam porque não têm perspectiva de serem exibidos.

A última chance será dada aos filmes que tiveram poucas sessões; aos que fizeram uma boa carreira no começo do Festival mas que na segunda semana, quando já tinham repercutido no boca-a-boca ou na crítica e novos espectadores procuravam por novas sessões em vão, não mais passaram; aos que começaram a passar já muito no final do Festival e por isso tiveram apenas uma ou duas sessões; e às retrospectivas de Tarkoviski e de Cassavetes, que em meio a tantas novidades durante o Festival deixaram os cinéfilos malucos. A maioria destes filme passaram com legendagem eletrônica ou com legendas em inglês, ou francês, porque os que tinham legendas na cópia eram os que já tinham previsão de exibição nacional.

As duas retrospectivas terão, cada uma, apenas sete filmes exibidos, um título por dia. A retrospectiva de Cassavetes foi um caso a parte porque estava programada para passar no MAM durante o Festival, o que daria um espaço de destaque e mais tempo para os doze filmes do diretor, mas a cinemateca do MAM não ficou disponível e a retrospectiva teve que ser encaixada na programação do circuito normal, o que prejudicou muito seu espaço e alguns filmes só puderam ser exibidos uma única vez e quase nenhum teve horário nobre. Agora os filmes de Cassavetes terão sessões no seu merecedor horário, as de 21h30 no Odeon. O de Sexta será Sombras (1960), o primeiro de Cassavetes na direção; o seguinte é Faces (1968), quarto filme do diretor; a sessão de Domingo será a única que não é às 21h30m, o filme é Noite de Estréia (1978) e o horário 19h; na continuação Os Maridos (1970); Uma mulher sob Influência (1974) é o título de terça; no dia seguinte Glória (1980); e, para encerrar, A Morte de um Bookmaker Chinês (1976).

A retrospectiva de Tarkovsky terá duas sessões diárias no Museu da República, a primeira e a última do dia, conferir horários. Os sete filmes, em ordem de exibição, são: Dirigido por Andrei Tarkovsky (1988), um making off da filmagem de O Sacríficio; Andrei Rublev (1966), biografia de um grande pintor de ícones religiosos que viveu na Rússia de 1360 a 1430; Stalker (1979), um dos grandes filmes do diretor; O Espelho (1974), uma espécie de autobiografia de Tarkovsky; O Sacrifício (1986) último filme de ficção do diretor, filmado durante seu exílio; A Infância de Ivan (1962), seu primeiro filme; e Solaris (1972), outro de seus grandes filmes que entraram para a história do cinema mundial.

A maior bilheteria entre os filmes que ainda não foram comprados para território nacional é Buena Vista Social Club, de Win Wenders. SBuena Vista Social Club documenta o resgate de célebres músicos cubanos da década de 50 que estavam sumidos do cenário internacional e, em alguns casos, já distantes da profissão há alguns anos. Todos os músicos já estão idosos mas continuam em forma para tocar ou cantar e ainda contar, com prazer, suas histórias pessoais. A alegria e a satisfação deles nos shows internacionais que fizeram é emocionante, a trilha é empolgante e as cenas de Havana são maravilhosas. Buena Vista terá duas sessões, uma na sexta às 14h e outra no domingo às 16h30m.

O filme que será exibido hoje no encerramento do Festival, numa sessão para convidados, reexibido porque não chegou ao público, mas não só por isso, ele é uma das grandes expectativas do Festival; Goya, de Carlos Saura. Goya terá apenas uma sessão no Sábado e outra no Domingo, mas tranqüilizem-se; o filme já tem seus direitos comprados pela distribuidora do Estação e, algum dia, deve entrar em cartaz, mas quem viu garante que a pressa vale à pena e que qualquer esforço será recompensado na sala de projeção.

Os quatro ganhadores da mostra infantil Janela Mágica, que tinha júri popular com votação exclusiva das crianças, serão exibidos no final de semana no Espaço Unibanco 3; Sábado às 15h30m o curta dinamarquês Mãos ao Alto e o Longa Não Conte Comigo, vindo da Islândia; e Domingo, no mesmo horário, o curta mexicano No Espelho do Céu e o longa O Verão dos Macacos, do Canadá.

Ainda no Espaço Unibanco 3 uma sessão especial no Sábado às 23h45m exibe a última chance da mostra Mundo Gay; o filme Fumar é o Melhor Remédio, do americano Nick Katsapetses.

O horário é um pouco ingrato, mas vale prestar atenção para o filme de terç às 14h; o excelente A Vida é Assoviar, do cubano Fernando Pérez. O filme é uma delicada e criativa crítica à falta de liberdade cubana. As três personagens principais são complexas e muito bem trabalhadas; a bailarina que tem enorme prazer físico mas que é capaz de abdicar dos homens para viver Giselle numa nova montagem; a boa cidadã que começa a ter desmaios misteriosos e o músico que foi abandonado pela mãe por não estar no caminho por ela idealizado; mãe esta muito especial, criava muitos filhos adotivos ao som de músicos como Bola de Nieve, e tem um nome sugestivo: Cuba Valdés.

Os poucos filmes de diretores mais conhecidos que estão na Repescagem, fora os já citados, são: Existenz, de David Cronemberg; e A Garota de seus Sonhos, de Fernando Trueba. Muitos dos outros títulos foram grandes surpresas, alguns até grandes azarões. Foram aqueles de diretores desconhecidos ou novatos e que chamaram a atenção na repercussão boca-a-boca, uma das grandes divulgadoras do Festival. Fica difícil agrupá-los em grupos temáticos ou regionais, pois a lista é farta e variada. Confira os horários e os títulos na Programação.

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Solaris, de Andrei Tarkovsky

 

 

 

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O espelho, de Andrei Tarkovsky

 

 

 

 

noite_de_estreia.gif (11994 bytes)Noite de estréia, de John Cassavetes

 

 

 

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A morte de um bookmaker chinês, de John Cassavetes