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Press Book Estréia: 28 de janeiro de 2000 SINOPSE Aos 82 anos, Francisco de Goya (Francisco Rabal) vive no exílio, em Bordeaux, França, com a última de suas amantes, Leocadia Zorrilla de Weiss (Eulalia Ramon). O pintor reconstrói os principais acontecimentos de sua vida para sua filha caçula, Rosario (Dafne Fernandéz). Goya se lembra dos tempos em que era jovem e ambicioso e lutou para conquistar seu espaço na corte do rei Carlos IV, em meio a intrigas palacianas, seduções e mentiras. Lembra-se também de seu único amor verdadeiro, a duquesa de Alba (Maribel Verdú), cuja vida foi interrompida por uma dose de veneno. Aos poucos, o filme vai revelando os mistérios de um artista genial, que em momento algum abandonou a preocupação pelo seu país e pelo seu povo. A era de luz e cor da corte Bourbon abre caminho para o mesmo Goya que, aos 46 anos, ficou surdo, um fato que gerou importante reviravolta em seu trabalho. Enquanto ficava claro na Espanha que os dias de absolutismo, sob as novas pressões do Iluminismo, chegavam ao fim, Francisco de Goya descobre um novo mundo criativo em suas pinturas soturnas e seus chamados caprichos. O DIRETOR Goya é o 30º filme de um dos mais ecléticos e internacionais diretores espanhóis, indicado ao Oscar 98 de melhor filme estrangeiro por Tango, co-produção entre Espanha e Argentina. Goya é o projeto mais antigo da carreira de Saura, cineasta que está na estrada desde 1950, autor de uma obra que oscila entre a crítica às instituições e à família espanhola e a exaltação de suas riquezas culturais (caso de Bodas de Sangue, Carmen, Amor Brujo e Flamenco, odes à música e à dança do país). Em Goya, Saura mistura essas duas características. "Algumas pessoas escolhem viver no centro do furacão e expressam as convulsões de um mundo em transformação. Goya foi testemunha e fez parte de um país em que a intolerância, as doenças e a guerra eram parte do dia-a-dia. Não acredito que tenhamos alguma testemunha mais confiável da violência na guerra do que suas gravuras. Não há sentimentalismo ou ternura nelas, apenas uma visão poderosa que tenta expressar o horror", afirma o diretor. Carlos Saura já levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim (em 1981, pelo filme Deprisa, Deprisa) e por duas vezes ganhou o prêmio de melhor diretor no mesmo festival: em 1966, por La caza, e em 1964, por Peppermint frappé. Cria cuervos, um dos melhores filmes sobre a infância já feitos, levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 1976. O ELENCO Francisco Rabal (GOYA) Um dos mais importantes atores da Espanha, Francisco Rabal já trabalhou com diretores como Michelangelo Antonioni (O eclipse, 1961), Luis Buñuel (A bela da tarde, 1966), Pedro Almodóvar (Ata-me, 1989), Eliseo Subiela (Pequeños milagros, 1997) e Arturo Ripstein (O evangelho das maravilhas, 1998). Ele considera Goya um de seus melhores papéis no cinema. Eulalia Ramon (LEOCADIA) Atriz de teatro e bailarina, Eulalia Ramon já trabalhou com Carlos Saura em outros três filmes (Dispara, Taxi e Pajarico). Em Goya, intepreta a última amante do pintor, Leocadia, uma mulher generosa e confiante que ficou com ele até o fim da vida. Maribel Verdú (DUQUESA DE ALBA) Atriz descoberta pelo diretor Vicente Aranda quando tinha apenas 14 anos, Maribel Verdu ganhou projeção internacional quando estrelou o filme Sedução, de Fernando Trueba, premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro. Trabalhou também com Bigas Luna em Ovos de ouro e com Ricardo Franco em La buena estrella. A duquesa de Alba é uma das figuras mais controversas da vida de Goya. Em 1794, os dois começaram uma intensa amizade, até que, dois anos depois, o pintor se mudou para a casa da duquesa, na cidade de Sanlucar de Barrameda, na Andaluzia. Viveram juntos por onze meses. Diz a lenda que a duquesa foi envenenada por seus inimigos na corte. EQUIPE TÉCNICA Vittorio Storaro (DIRETOR DE FOTOGRAFIA) Goya é a quarta colaboração entre Storaro e Carlos Saura, depois de Flamenco, Taxi e Tango (que valeu ao fotógrafo o Prêmio da Comissão Superior Técnica no Festival de Cannes de 1998). Parceiro constante de Bernardo Bertolucci, o fotógrafo italiano é considerado praticamente um pintor da luz. Teve, portanto, crucial importância para a realização deste antigo projeto de Saura sobre Goya. Storaro ganhou o Oscar de melhor fotografia pelos filmes Apocalipse Now, de Francis Ford Coppola, Reds, de Warren Beatty e O último imperador, de Bernardo Bertolucci. Foi indicado também por Dick Tracy, de Warren Beatty. Pierre-Louis Thévenet (DIRETOR DE ARTE) Nascido na França, Pierre-Louis Thévenet vive na Espanha há mais de 30 anos. Trabalhou com diretores de estilos diversos como Nicholas Ray (55 dias em Pequim), Anthony Mann (A queda do Império Romano), Francesco Rossi (Carmen), Pedro Almodóvar (De salto alto) e Fernando Trueba (O sonho do macaco louco). Seu trabalho no filme Patton, de William J. Shaffner, lhe rendeu um Oscar. SOBRE GOYA Francisco de Goya y Lucientes é considerado um dos maiores pintores de todos os tempos. Até hoje, sua influência pode ser notada nas artes plásticas, no cinema, e até mesmo no teatro e na música. Goya nasceu na cidade de Fuendetodos (Zaragoza, Espanha), em 1746, e morreu em Bordeaux (França), em 1828. Durante sua longa vida, testemunhou o declínio imperial da Espanha, quatro monarquias controvertidas, a ocupação de José Bonaparte (irmão do temido estrategista) e uma guerra de independência entre Espanha e França, cujo desenrolar sangrento ainda faze parte da memória espanhola graças aos esforços do pintor. Depois de uma breve temporada da Itália e de uma intensa carreira pública como pintor da realeza tornando-se o grande retratista de sua era uma complicada e até hoje desconhecida doença o deixou surdo, fato que transformou a vida e o trabalho de Goya. As intrigas da corte de Carlos IV, as conspirações do secretário real Godoy (supostamente, amante da rainha Maria Luisa) e os fraudulentos interesses econômicos da aristocracia européia que, levada pela ambição de Napoleão Bonaparte, visava a uma redivisão da Europa vieram, junto à nova cultura iluminista, interferir profundamente na vida do pintor. Depois de ter convivido com a elite nos salões da corte, Goya retirou-se para a Quinta del Sordo, sua casa em Madri, onde cobria as paredes com pinturas soturnas um período de sua vida que foi valorizado artisticamente com o tempo. Envelhecendo e exilado em Bordeaux, com sua amante e vários de seus filhos, Goya dedicou-se às gravuras, que mantiveram intactas o seu gênio e seu desejo de criação. Considerado um visionário, pai da pintura moderna, o Goya na visão do cineasta Carlos Saura encontra-se cara a cara com vários dos mitos que o cercaram. Como um artista romântico, foi tido como um conquistador, amante das touradas e bon vivant. Outros experts enfatizam sua paixão pelo estudo, sua personalidade enigmática e sua extrema habilidade técnica. Seu gênio, porém, é inegável. A PRODUÇÃO A realização de Goya não reuniu apenas alguns dos melhores atores espanhóis, mas também grandes técnicos de cinema da Europa, para dar vida à visão pessoal de Carlos Saura sobre o universo do pintor. A maior parte das filmagens se deu em um enorme set dividido por painéis transparentes e móveis. "Quase todo o filme foi realizado em estúdio, onde foram reproduzidos palácios, ruas e pesadelos", afirma o diretor de fotografia, Vittorio Storaro. "Isto porque muito da história se passa dentro da cabeça de Goya. Mas em outros momentos, o senso de realidade era importante quando, por exemplo, Goya fala de seu relacionamento com a duquesa de Alba. Toda a sua criatividade, fantasia, sentimentos e emoções afloram quando o pintor lembra-se dela, e nós precisávamos de verossimilhança e intensidade." Carlos Saura completa: "Em termos de encenação, Goya vai mais longe do que Tango. O espaço, e sobretudo a luz que cria o espaço, são essenciais. Tudo foi concebido em dois blocos distintos: a atuação e a luz. A luz é inseparável da nossa concepção dos cenários. Por isso Storaro foi tão importante. Ele é um mestre da iluminação." Em relação à direção de arte, Storaro frisa: "Nós contamos com o apoio valioso de Pierre-Louis Thévenet, profundo conhecedor do período. Nós trabalhamos com materiais novos e com plástico, projeções e superfícies em que pinturas ou fragmentos de pinturas eram reproduzidos. O espaço cênico era como um enorme jogo de peças móveis, de forma que em qualquer lugar nós pudéssemos construir um quarto, um ateliê, um corredor, ou fazer uma pintura ou uma gravura surgir na parede." Um dos momentos visualmente mais espetaculares do filme a encenação da dramática Desastres da guerra contou com a participação do grupo de teatro catalão La Fura del Baus. O grupo ganhou reconhecimento mundial quando se apresentou nas cerimônias de abertura e encerramento das Olimpíadas de Barcelona, em 1992. Jürgen Müller, integrante do La Fura, explica: "Houve um período de dois ou três meses de pesquisa. Depois, começamos a criar os personagens. É uma história com uma trama, mas não é realista. Não gosto de trabalhar em projetos realistas porque não acredito que a memória possa ser igual à realidade. Queríamos evitar trair o espírito de Goya e ao mesmo tempo escapar dos clichês das imagens goyescas." Para sublinhar a importância das transformações emocionais do pintor ao longo de sua vida, o compositor Roque Baños (autor da música do filme de grande sucesso de público na Espanha, Torrente) concebeu uma partitura rica em influências que vai da música popular espanhola às peças que eram escritas para a corte do século XVIII. Há ecos de Boccherini, Haydn, Beethoven, e de compositores românticos como Chopin, Schubert e Brahms. Em termos musicais, foi um período extraordinário para a Europa, e Saura queria que seu filme refletisse esse aspecto. Goya Um filme de Carlos Saura Espanha, 1999 102min Classificação etária: Vencedor do Prêmio de Contribuição Artística do Festival de Montreal (1999) ELENCO Goya: Francisco Rabal Goya jovem: Jose Coronado Rosario: Dafne Fernández Duquesa de Alba: Maribel Verdú Leocadia: Eulalia Ramón Moratín: Joaquín Clement Pepita Tudó: Cristina Espinosa Godoy: José Maria Pou Padre e Santo Antônio: Saturnino García Juan Valdés: Carlos Hipólito Participação especial: La Fura del Baus FICHA TÉCNICA Direção e roteiro: Carlos Saura Produção: Andrés Vicente Goméz Co-produção: Fulvio Lucisano Direção de fotografia: Vittorio Storaro Direção de arte: Pierre-Louis Thévenet Figurinos: Pedro Moreno Música: Roque Baños Direção de produção: Carmen Martínez Maquiagem: José Quetglas Cabelos: Blanca Sánchez Som: Carlos Faruolo Montagem: Julia Juániz Filmografia principal: 1964: Pepermint frappé 1966: La caza 1970: O jardim das delícias 1972: Ana e os lobos 1973: Cria cuervos 1975: Elisa, vida minha 1977: Olhos vendados 1978: Mamãe faz cem anos 1981: Deprisa, Deprisa Bodas de sangue 1982: Antonieta 1983: Carmen 1986: O Amor Bruxo 1987: El Dorado 1988: La noche escura 1990: Ai, Carmela 1993: Dispara 1995: Flamenco 1996: Taxi 1997: Pajarico 1998: Tango 1999: Goya. |
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