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Um filme de Manoel de Oliveira

Seleção oficial (Hors Concours)
Festival de Cannes de 1998

Prémio "Grand Prix des Amériques"
Festival des Films du Monde, Montreal 1998

Portugal/França, 1998 / 115min

SINOPSE

São homens famosos, cobertos de honrarias, incensados por todos... mas velhos, muito velhos. E então, para que o filho escape à decrepitude e à decadência, que já não tardam, o pai incita-o a suicidar-se. O que não vai ser fácil...

Quando o pano cai sobre esta nota trágica, estamos nos anos 30, no Porto, onde Susy, uma cortesã, está à beira da morte numa mesa de operações, e resume assim a sua vida: "Tudo isto não é senão um detalhe".

Para consolar o dandy que com ela acabara de viver uma história de amor, um amigo conta-lhe a história de Fisalina, uma camponesa que um dia descobre que tem pontas dos dedos em ouro: durante mil anos ela será a mãe de um rio...

NOTAS DE PRODUÇÃO:

"Nunca fui muito amante dos filmes compostos por histórias diferentes e sem relação entre si. Tudo começou por uma secreta vontade de passar à tela uma estranha peça de teatro, de Prista Monteiro, chamada "Os Imortais". Porém, feita a planificação, verifiquei muito inquieto que resultaria um filme
demasiado curto. Então ocorreram-me dois contos que tinha gostado muito de passar a filme, e que o não tinha feito antes por igualmente serem muito pequenos. Foi uma boa oportunidade para os juntar. Acontece que o conto de António Patrício,"Suzy", começa no teatro, o que me deu logo a possibilidade de entrelaçar as três histórias e as fazer funcionar como uma só. Assim foi, "Suzy" ficou como motivo central, envolvendo "Os Imortais" e "A Mãe de um Rio", de Agustina Bessa-Luís, esta última história contada em flash-back. Ao
conjunto dei o nome de INQUIETUDE, por me parecer que, em qualquer delas há, mais ou menos, qualquer cousa de inquietante."

Manoel de Oliveira.
Porto, Maio de 1998

O DIRETOR

Manoel Candido Pinto de Oliveira, conhecido como Manoel de Oliveira. Diretor português nascido na cidade do Porto em 1908.
Em1929 começa seu trabalho pessoal e experimental em DOURO, FAINA FLUVIAL, que termina em 1931.
Em 1941, começa seu primeiro longa metragem, ANIKI-BOBÓ, adaptação de uma novela de Rodrigues de Freitas chamada Meninos Milionários. Oliveira realiza em 1959 O PÃO, para a Federação Nacional dos Industriais de Moagem.
Entrelaçando elementos simbólicos (a representação do pão em nossa sociedade) e seu processo de fabricação, o autor faz deste longa metragem uma peça muito interessante.

Em 1961 começa a filmagem de ATO DE PRIMAVERA, seu segundo longa metragem. O realizador elabora, em 1963, A CAÇA, , uma parábola sobre a solidariedade da época. Em 1956, AS PINTURAS DO MEU IRMÃO JÚLIO, seu último curta-metragem. Subvencionado pela Fundação Gulbenkian, Manoel de Oliveira roda em 1971, seu terceiro longa metragem: O PASSADO E O PRESENTE, a primeira parte de uma
tetralogia dedicada aos 3 amores frustrados. Basada em uma novela de Vicente Sanches e ambientada em um meio burguês contemporâneo. O diretor adapta, em 1978, AMOR DE PERDIÇÃO, um livro de Camilo Castelo Branco: é a historia, no final do século XVIII, de um amor impossível entre dois jovens pertencentes a famílias inimigas. FRANCISCA (1981), inspirada na novela de Agustina Bessa Luís, Fanny Owen, fecha o ciclo dos "amores frustrados". Situada em 1850, as cenas do filme descrevem a evolução da agitada relação entre José Augusto e Fanny, onde um certo cinismo, próprio de uma burguesia já decadente, impera.

FILMOGRAFIA

1931 Douro, Faina Fluvial
1932 Estátuas de Lisboa
1933 Canção de Lisboa
1938 Já se fabricam automóveis em Portugal
Miramar, Praia das Rosas
1939 Famalição (Documentário)
1942 Aniki Bobo
1956 O Pintor e a cidade
1958 O Coração
1959 O Pão
As Pinturas do meu irmão Julio
1963 Acto da Primavera
A Caça
1970 1100 Anos Inauguração duma Estátua
1971 Sever do Bouga
O Passado e o Presente
1975 Benilde ou a Virgem-màe
1978 Amor de Perdição
1981 Francisca
1982 Visita, Ou Memórias e Confissões
Lisboa Cultural
1983 A Bandeira Nacional
Nice - À propos de Jean Vigo
1985 O Sapato de Cetim
1986 O Meu Caso
1987 De Profundis
1988 Os Canibais
1990 Não ou a vã Glória de Mandar
1991 A Divina Comédia
1992 O dia do Desespero
1993 Vale Abraão
1994 A Caixa
1995 O Convento
1996 Party
1997 Viagem ao princîpio do mundo
1998 Inquietude
1999 A Carta

A CRÍTICA:

-"Manoel de Oliveira desdobra em INQUIETUDE toda sua exímia sabedoria cinematográfica. Desde Vale Abraão - porém aqui em muito menos tempo e com mais abertura de horizonte - Oliveira não abarca um poema visual de tão alto e livre vôo. Aproxima-se da perfeição".

Angel Fernández-Santos. EL PAIS

- Manoel de Oliveira dá outra lição de talento e jovialidade.
"... filme tão cheio de ironia, jovialidade, sabedoria e potência criadora, que respira os mesmos ares de quando Oliveira começou, ou seja, no mudo."

E. Rodríguez Marchante. ABC

- "Manoel de Oliveira, o nonagenário volta às suas origens.
Três relatos sabiamente ligados entre si e nos quais aflora seu inato senso de humor, aliviador de um posto em cena, verbal e visualmente sem concessões."

Lluís Bonet Mojica. LA VANGUARDIA

"Um dia destes, as telas espanholas serão mais livres com o ritmo, provavelmente sigiloso, imposto a elas pelo último filme de um português universal, Oliveira, a secas. Em realidade, não a secas, senão a úmidas, pois que não há nada mais oposto à seca que a fertilidade deste cavaleiro nonagenário, de imaginação longe e aberta como a de um rapaz dinamicamente
irônico que, com solene falta de solenidade, ri de sua sombra sem que esta perceba.

O último filme de Oliveira, o que um dia destes dará asas a todos nós que sempre acreditamos que o cinema é mais, muito mais, do que uma sucursal do negócio de jogos de marcianos e que um ungüento de sex shop para acalmar os ânimos e os remédios caseiros, e buscamos nas telas aquela janela que nos
abriram na infância ao conhecimento do mundo, e que seu último filme, digo, tem através do título o que melhor anuncia a paixão de conhecer: inquietude.

Resta-me no entanto proibir a recomendação aos quietos e àqueles que crêem que se movem porém estão parados e confundem a ação com o equilíbrio, que na realidade são as coisas mais opostas.

Requer calma viver a inquietude em que nos faz entrar a mão suave e amistosa de Oliveira; pede muita serenidade seguir os sutis e complexos resgates de seu engenho sem estridências nem acelerações.Não há homem mais jovem que um ancião lúcido a quem as artérias tem respeitado os diamantes do cérebro. A Inquietude de Oliveira é um filme que vai tão direto ao assunto, que em uma hora e meia nos resume séculos de eloqüência de um povo inteligente e calado, porém cheio de coisas para dizer, de histórias para contar, de memória do que merece ser recordado. "

Angel Fernández Santos. EL PAIS

FICHA TÉCNICA

Os Imortais - de Helder Prista Monteiro

O pai José Pinto
O filho Luís Miguel Cintra
Marta Isabel Ruth

Suzy - de António Patrício

Suzy Leonor Silveira
Gabi Rita Blanco
Él Diogo Dória
O amigo David Cardoso

Mãe de um rio - de Agustina Bessa-Luís

a mãe Irene Papas
Fisalina Leonor Baldaque
o noivo Ricardo Trepa (neto de Manoel de Oliveira)

direção e diálogos Manoel de Oliveira
fotografia Renato Berta
montagem Valérie Loiseleux
som Philippe Morel, Jean-François Auger
cenografia e figurino Isabel Branco
assistente de direção José Maria Vaz da Silva
roteiro Julia Buisel
diretores de produção António Gonçalo, Puy Oria
direção financeira Luísa Perestrello
produtor Paulo Branco
produtores asociados José María Morales, Patricia Plattner
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Uma co-produção:
Madragoa Filmes - Portugal
Gemini Films - França
Wanda Films- Espanha
Light Night - Suiza

Com o apoio de Eurimages

Com a participação de:
Instituto Português da Arte Cinematográfica e Audiovisual
Radiotelevisão Portuguesa
Câmara Municipal do Porto
Centre National de la Cinématographie
Canal +

VEJA MAIS:

http://www.citi.pt/cultura/cinema/manoel_de_oliveira/
http://www.madragoafilmes.pt/filmografia/titulo/inquietude.html
http://www.infocine.net/inquietud/index.html

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