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Press Book

Estréia: 03 de Março de 2000

Aimée & Jaguar

Um filme de Max Färberböck

125min - Alemanha, 1999

Festival de Berlim de 1999 (filme de abertura, em competição)
Urso de Prata de melhor atriz (para Maria Schrader e Juliane Köhler)

Sinopse

Berlim, 1997. Um agente do estado e alguns clientes estão observando um apartamento em mau estado. Uma senhora está sentada perto de seus pertences, esperando para ser levada para um asilo.

Mais de meio século atrás, em plena Segunda Guerra Mundial, esse apartamento

fora um ponto de encontro de jovens e um esconderijo para os perseguidos.

Lilly Wist (Juliane Köhler) levava uma vida convencional, sem suspeitar que em

pouco tempo seria a personagem central de acontecimentos extraordinários.

Em 1943, ela está quase com 30 anos, cuida de quatro filhos, e é considerada

ótima dona de casa apesar de manter alguns relacionamentos extra conjugais.

Seu marido Günther (Detlev Buck), soldado na ativa, também tem seus casos.

O casal vive uma vida burguesa, mas não reprimida, pelo menos no aspecto

sexual.  Num concerto, Lilly conhece uma jovem que vai mudar radicalmente

sua vida. Num primeiro momento ela nada sabe sobre Felice Schragenheim

(Maria Schrader). Não imageina que ela tem um caso com a empregada de

Lilly, Ilse. Muito menos sabe que ela é judia e vive na clandestinidade.

Não há uma razão precisa para que esse breve encontro entre essas

mulheres tenha demais conseqüências, já que elas estão mais preocupadas com sua

própria sobrevivência. Toda noite Berlim é bombardeada, e Lilly precisa

proteger os filhos. Já Felice está sob perigo constante de cair nas

mãos da Gestapo.

O destino faz com que elas se encontrem uma segunda vez, e Lilly

percebe que ela é objeto do desejo de Felice. Lilly se sente atraída e

fascinada, mas também confusa. Felice é radicalmente diferente de todas as

mulheres que ela conhecera até agora. É mais auto-confiante, enérgica e

inteligente. As amigas de Felice também têm essas qualidades, o que deixa Lilly enfeitiçada..

Um dia, Felice abraça Lilly e beija sua boca. Lilly fica chocada, dá um

tapa em Felice e dá as costas para ela. Ainda assim, sente que dificilmente

escapará do amor que teve início naquele momento.

Um caso apaixonado começa entre as duas. Elas trocam cartas e poemas

quase todos os dias. Elas chamam uma a outra de Aimée (Lilly) e Jaguar

(Felice). Mas Lilly não sabe muito a respeito de Felice, que é capaz de

desaparecer por dias inteiros sem deixar notícia. Quando reaparece, não dá uma

explicação satisfatória. No fim, quando Lilly já está tomada de ciúmes,

Felice é forçada a admitir que é judia. Felice trabalha para um jornal

nazista com um nome falso e entrega as informações que obtém para um

grupo da resistência. Ela sabe o quanto isso é perigoso, principalmente

porque o marido de Lilly é nazista e há um busto de Hitler no apartamento de

Lilly.

Mas Lilly se supera. Deixa que Felice se mude para o seu apartamento e

se divorcia de seu marido. Elas bloqueiam a terrível realidade da guerra e

da perseguição, mas não por muito tempo. Num dia de agosto de 1944, depois

de um passeio em que elas se divertiram, nadaram e tiraram fotografias, a

Gestapo está esperando por Felice no apartamento de Lilly.

MAX FÄRBERBÖCK

Depois de estudar na escola de cinema de Munique, Max Färberböck

trabalhou para a companhia produtora Constantin Film. Foi assistente e

dramaturgo para o diretor Peter Zadek no teatro Schauspielhaus em

Hamburgo. Dirigiu várias peças de teatro em Hamburgo, Heidelberg e

Colônia. Foi diretor e co-autor de vários episódios da série de TV Fahnder,

até que começou a realizar filmes para a televisão alemã.

Aimée e Jaguar é seu primeiro longa-metragem para o cinema.

 

O ELENCO

MARIA SCHRADER (Felice)

Maria Schrader começou a carreira no teatro mas logo se tornou um

importante nome do cinema alemão. Em 1992 ganhou o prêmio Max Ophüls

por sua atuação em Eu estive em marte, filme dirigido por Dani Levy. Em 1995

recebeu o Grande Prêmio do Cinema Alemão por três filmes, entre eles

Ninguém me ama, de Doris Dörrie.

JULIANE KÖHLER (Lilly)

Estudou teatro em Nova York. Voltou para a Alemanha onde ganhou muitos

papéis importantes no teatro, inclusive em Hedda Gabler, de Ibsen. No

cinema ela fez mais de dez filmes, entre eles Pünktchen und Anton, de Caroline Link.

 

ENTREVISTA COM MAX FÄRBERBÖCK

O que o atraiu para o projeto de Aimée e Jaguar?

O caos da cidade de Berlim em 1943, em primeiro lugar. Berlim era uma

grande confusão de policiais, assassinatos, informantes e a população

comum aterrorizada ­ que perdeu completamente o senso de direção.

A cidade queimava e atores como alemães como Heinz Rühmann e Marika

Rökk cantavam alegremente nos filmes mais populares. Era como uma dança no vulcão.

Asmulheres se maquiavam, se arrumavam e tropeçavam em corpos no

caminho de seus encontros. Tudo isso se transformou num único grito, um

grito que ecoa até hoje na cidade. Essa mistura de passado e presente, esse

típico sentimento de Berlim de caos e guerra, me atraiu por anos a fio, e

Aimée e Jaguar foi a história que se encaixou neste panorama.

Que aspecto você achou mais interessante nessa história radical de amor

entre duas mulheres?

Uma certa força explosiva e subversiva no amor que uniu as duas, um

sentimento libertador. O destino de Felice e Lilly era experimentar na

carne algo que tem sido contado repetidamente nas grandes histórias de amor:

um amor que atrai a morte.

Teria sido essa a razão que levou os americanos ­ como por exemplo os

agentes de Winona Ryder ­ a tentar comprar os direitos do livro?

Pode ser. Uma história de amor entre uma alegre e cosmopolitana garota

judia

e uma mulher nazista de quatro filhos é por si só interessante. Várias

nuances psicológicas podem ser extraídas dessa premissa, assim como

alguns

conflitos relevantes. Num primeiro momento queríamos manter o conflito

ideológico no primeiro plano, mas depois a experiência real das duas

suplantou esse aspecto. Olhares, medo, mentiras e disfarces se tornaram

mais

importantes, assim como a grande atração erótica de uma situação em que

as

pessoas não podem dizer quem são de fato porque a verdade pode destruir

tudo.

É muito difícil dar vida a um filme histórico?

É. Fui lendo livros de história até que tive uma idéia de como

resolveria o

filme. Acima de tudo, em relação ao Terceiro Reich, há uma imensa

dificuldade a ser superada: tudo cheira a clichê e imagens mortas, até

que

se dê conta de que as pessoas nesses dias não eram conchas fechadas

pela

história mas sim vivas, de pensamento rápido, e tão modernas quanto nós

acreditamos ser hoje.

A história aconteceu 56 anos atrás. Como você conseguiu obter um

sentimento

de como era o período?

Tudo o que tive de fazer foi olhar o rosto de meu pai e de meu avô e

pensar

no que as pessoas são capazes de fazer, positiva e negativamente. O que

se

passou naqueles dias foi a combinação dos mais diferentes fatores. Se

você

tentar fazer uma interpretação genérica, está perdido. Há muitas razões

para

este país ter dado origem ao pesadelo da humanidade. Como as pessoas

conviveram com isso na época, e o que isso significou para cada um, é

algo

igualmente complexo. Foi um tempo de contradições insolúveis, conflitos

gigantescos, e tudo o que um filme assim pode mostrar são pessoas reais

e

não marionetes da história. E assim o sentimento do período corre por

si

só..

Como é fazer um filme baseado numa história real?

Para contar uma história verdadeira é preciso destruir tudo e

reconstruir

depois. Com sorte você termina com uma parte da poesia e da verdade de

uma

experiência. No entanto, há uma responsabilidade: a obrigação de não

vender

a verdade por um preço barato. Era um desafio, no caso, evitar o

sentimentalismo e ao mesmo tempo evocar o poder das emoções, com todas

as

referências à história, às pessoas, e à ambivalência de seus atos.

 

LILLY WUST DEPOIS DE 1945

O que aconteceu depois de Aimée e Jaguar

Em maio de 1945, quando a guerra acabou, Lilly Wust começou a procurar

por Felice Schragenheim. Ela esperou durante vários dias na estação onde os

trens chegavam do Leste. Espalhou cartazes com o retrato e o nome dela

e teve uma mensagem de procura lida no rádio. Ela tentou encontrar Felice

entre os sobreviventes dos campos de concentração, em vão.

No inverno de 1945-46, Lilly ficou sem carvão para o aquecimento.

Mudou-se para a casa dos pais com o filho menor. Foi quando começou a escrever

seu Tränenbüchlein (Livro das lágrimas), em que passou a limpo todas as

cartas e poemas que Aimée e Jaguar escreveram uma para a outra. Em 1948, Felice

foi declarada morta pela corte do distrito de Charlottenburg, Berlim. A

hora e local de sua morte são desconhecidos. Ela provavelmente morreu durante

uma das infames marchas da morte. Na primavera de 1949, Lilly tentou o

suicídio.

Em abril de 1950, Lilly casou-se novamente. Seu marido, Willi Beimling,

era comerciante. Ela trabalhava na loja o dia inteiro e à noite cozinhava.

Mais tarde, descreveria a união como "um casamento absurdo, aceito sob o

pânico." Em fevereiro de 1951, ela se divorciou.

Desde o fim da guerra Lilly se envolveu intensamente com a cultura

judaica. Seu filho Eberhard se converteu ao judaísmo e mudou-se para Israel.

Aos 50 anos, Lilly teve o seu primeiro emprego. Trabalhou como

Faxineira numa fábrica têxtil. Em 1981, recebeu a Ordem da República Federativa

Alemã..

Depois da prisão de Felice, ela abrigou outras três mulheres judias.

Duas semanas depois da cerimônia de entrega da Ordem, Lilly quase tropeçou

numa pedra que foi deliberadamente colocada em frente à entrada de sua casa.

A porta estava coberta de esterco.

Em 1998, Lilly Wust completou 85 anos. Seus diários, os documentos de

Felice, fotos, cartas e poemas estão guardados em duas malas. Depois de

Sua morte, as malas serão entregues a seu filho, em Israel.

 

ENTREVISTA COM LILLY WUST

O que a senhora acha de sua história ser transformada em filme?

Dei minha história para o mundo, agora ela já não me pertence. O livro

já tinha me desprendido de minha própria vida, e agora vem o filme. Na

verdade, não tenho nada a ver com eles. Fui até Colônia ver as filmagens. Estive

lá no primeiro dia. Conheci Maria Schrader e Juliane Köhler. Gostei muito

delas. Fiquei feliz com a escolha das atrizes, apesar de que eu nunca

usaria um cardigan como aquele que Juliane usa no filme.

 

Não é estranho que alguém apareça na tela de cinema dizendo "Eu sou

Lilly Wust"?

É sim. Mas Juliane Köhler é perfeita. Gostei muito dela mesmo. É

discreta e muito bonita. Mas Lilly não é tão importante quanto Felice na história.

 

A senhora se lembra da primeira vez que encontrou Felice?

Claro. Foi em Berlim, no Café at Bahnhof Zoo. Ela era uma jovem muito

elegante que sempre usava roupas feitas sob medida. Era encantadora,

alguém que se admirava assim que ela entrava na sala. Tinha uma força enorme.

Aos 8 anos, sua mãe morreu, e aos 13 ela perdeu o pai, o que a deixou muito

madura para a sua idade.

 

Ela flertou com a senhora imediatamente?

Rapidamente, sim. Era uma sedutora. Ela me mandou flores, agrados. Eu

gostava muito. Quem não gostaria? Queríamos esquecer a guerra. Éramos

muito rigorosos com nós mesmos e com a vida. Os aliados estavam se

aproximando. As bombas caíam ­ mas e daí? Queríamos viver cada dia sem pensar no

amanhã. No princípio não conversávamos muito sobre a guerra. Dançávamos muito,

conversávamos sobre literatura. Até então eu tinha sido uma excelente

dona de casa. As pessoas que conheci pelas mãos de Felice eram vivazes,

cosmopolitas. Era um mundo diferente. Meu marido era prussiano, muito

alemão. Era um homem bom, mas não fomos feitos um para o outro. Eu

ficava muito enciumada quando ele tinha os casos dele.

 

Mas e os seus casos?

Eu era uma jovem atraente. Os homens me queriam. Então eles me tinham.

Mas não foram tantos assim. Naqueles dias as mães alemãs deveriam ser fiéis

aos maridos, mas havia muita coisa acontecendo nos bastidores.

 

O que havia de especial no seu relacionamento com Felice?

Felice me libertou. Eu a amei muito. Nunca deixei de amar Felice. De

repente, sabia quem era. Cresci de verdade pela primeira vez graças a

ela, apesar de já ter quatro filhos. Não me entendia bem com os homens.

Sempre me senti estranha com eles. Eu me sentia usada, inferior. Com Felice tudo

estava bem. Eu podia amar ­ essa era a grande diferença.

 

Como a senhora reagiu quando Felice lhe contou a verdade?

Aconteceu um mês depois de ela ter se mudado lá para casa. Ela sempre

desaparecia por dias seguidos. Uma noite, eu a questionei. Não costumo

fazer perguntas. Ela sempre vinha com novas desculpas. Até o dia em que ela

me disse: "Você vai me amar se souber quem eu sou?" ­ e então me contou

tudo. Foi como se eu estivesse assistindo a um filme. Tudo ficou claro.

Entendi porque ela se afastava, porque ela precisava ser tão secreta. Nós nos

abraçamos. Ela precisava de mim e eu queria protegê-la. Isso era o

bastante para mim.

 

A senhora não ficou com medo por seus filhos?

Não. Na verdade, meus quatro filhos me protegiam. Quando a Gestapo quis

Me interrogar, eu disse para o mais velho: "Se eu não voltar, tome conta

de seus irmãos." Mas a Gestapo não ousaria tirar uma mãe de perto de seus

filhos.

 

A senhora e Felice conversavam sobre política?

Claro. Havia um mapa na parede e a gente acompanhava o curso da guerra.

Também ouvíamos a BBC. Felice não tomava muito cuidado quando ela

Estava comigo.

 

Qual é a expectativa da senhora em relação à première de Amée e Jaguar?

Acho que vou ficar muito emocionada. O livro já tinha mudado a minha

vida. Durante muitos anos fui completamente sozinha. Trabalhava, voltava para

casa, assistia à televisão e dormia. Nunca deixei de amar Felice, e

acho que foi por isso que me desliguei do mundo. Dei meu consentimento para o

livro e para o filme porque queria criar um memorial para Felice.

 

 

ELENCO

Felice Schragenheim (Jaguar): Maria Schrader

Lilly Wust (Aimée): Juliane Köhler

Ilse: Johanna Wokalek

Klärchen: Heike Makatsch

Lotte: Elisabeth Degen

Günther Wust: Detlev Buck

Lilly (nos dias de hoje): Inge Keller

Ilse (nos dias de hoje): Kyra Mladeck

Mrs. Jäger: Margit Bendokat

Werner Lause: Jochen Stern

Editor chefe Keller: Peter Weck

Stefan Schmidt: H.C. Blumenberg

Erika: Desirée Nick

Maria: Patricia Moresco

Marlene: Karin Friesecke

Fritz Borchert: Dani Levy

Mr. Ude: Klaus Koennecke

Mrs. Ude: Barbara Focke

 

FICHA TÉCNICA

Direção: Max Färberböck

Produção: Günter Rohrbach e Hanno Huth

Roteiro: Max Färberböck e Rona Munro (baseado no livro de Erica

Fischer)

Direção de fotografia: Tony Imi

Montagem: Barbara Hennings

Som: Benjamim Schubert

Cenários: Albrecht Konrad

Figurinos: Barbara Baum

Música: Jan A. P. Kaczmarek

Cabelos e maquiagem: Gerlinde Kunz, Gerhard Nemetz e Horst Allert

Efeitos visuais: Futur Effects (Frank Schlegel e Morton McAdams)

Mixagem: Michael Kranz

Aimée e Jaguar foi filmado em 56 dias, nos estúdios Everest em Colônia,

e em locações em Berlim, Wroclaw e Rhine. A montagem e a pós-produção foram

realizadas em Hamburgo, e a mixagem em Munique.

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