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(Bread and Roses)

Um filme de Ken Loach

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35mm / Cor / 110 min.
Reino Unido/França/Espanha/ Suiça 2000

SINOPSE

As irmãs Maya e Rosa, mexicanas de sangue quente, trabalham no serviço de limpeza de um prédio comercial no centro da cidade. O destinou colocou Sam, apaixonado ativista americano, no seu caminho, o que as leva a uma campanha guerrilheira contra seus patrões. A luta ameaça seu sustento, a família e correm o risco de serem expulsas do país.

Pão e Rosas conta a história da comunidade mais marginalizada dentre todas as outras de Los Angeles e sua ousadia de enfrentar o patronato em total condições de inferioridade.

Ficha Técnica:

Produção - Rebecca O¹Brien
Roteiro - Paul Laverty
Produção Executiva - Ulrich Felsberg
Fotografia - Barry Ackroyd
Designer de Produção - Martin Johson
Montagem - Jonathan Morris
Música - George Fenton
Cenografia - Catherine Doherty
Supervisão de Figurino - Javier Arrieta
Elenco:
Pilar Padilha (Maya)
Adrien Brody (Sam)
Elpidia Carrillo (Rosa)
Jack McGee (Bert)
Monica Rivas (Simona)
Frank Davila (Luis)
Lillian Hurst (Anna)
Alonso Chavez (Perez)

***

"Pão e Rosas começou num ponto de ônibus, por volta das 2:30h da manhã. De repente, fui rodeado por animados sotaques do México, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Mulheres, na maioria. Começamos a conversar. Trabalhavam como zeladoras para banqueiros, companhias de seguro, advogados e agentes de Hollywood em alguns dos mais prestigiosos escritórios de Los Angeles. Davam uma forte impressão, vestindo aqueles uniformes, de que pertenciam a algum tipo de exército da madrugada",
recorda-se o roteirista, Paul Laverty. De acordo com Ken Loach, Laverty estava em Los Angeles Œsupostamente para fazer um curso na universidade, mas obviamente fazia outra coisa, convivendo com encrenqueiros.

Próximo do final de 1994, Loach estava editando Terra e Liberdade. Laverty entrou em contato e em uma de suas cartas mencionou a campanha Justiça para os Zeladores. ŒFiquei chocado por várias coisas a respeito deles¹, Laverty se lembra. "Eram irreverentes e tinham muita energia. Também me fizeram rir muito com suas histórias, mas havia um senso de direção muito forte em seus esforços. Estavam formando alianças criativas com organizações de base, estudantes, e igrejas que se uniram eles."

Sentia-se que era uma comunidade inteira desafiando o poder das corporações "Sem Justiça Não Há Paz" foi central para o direcionamento de sua organização sindical.

Imediatamente Loach ficou tão entusiasmado sobre o assunto quanto Laverty. Primeiro porque a história acontecia nos Estados Unidos, onde não havia trabalhado antes, "e achei que deveria fazer uma tentativa antes de aposentar o visor da câmera. E também porque era na cidade que é o templo dos filmes, ao mesmo tempo que se tratava de um mundo paralelo, completamente um outro mundo existindo lado a lado com o mundo do cinema. Tratava-se da organização de trabalhadores imigrantes, de
língua espanhola, muito vulneráveis, facilmente explorados e que no entanto conseguiram levar o objetivo a cabo. E depois de trabalhar num filme na Nicarágua, este parecia um outro elemento dentro de uma mesma história mais ampla: a relação entre os Estados Unidos e países que são essencialmente suas colônias; não que sejam formalmente colônias mas que na prática são suas colônias econômicas e culturais."

As seqëências de abertura do filme mostram Maya atravessando a fronteira com outros mexicanos, tendo dois "coiotes" como guias ­elo essencial no lucrativo tráfico humano através da fronteira do México com os Estados Unidos. Maya, e com ela o público, gradativamente vai descobrindo a outra Los Angeles, esta imensa comunidade "invisível" de imigrantes, na maioria latinos. São pessoas que andam de ônibus em LA, que ficam em pé nas esquinas como diaristas à procura de trabalho -pessoas
que fazem os piores trabalhos e ganham os piores salários.

"Tendo passado algum tempo com os sindicalistas, logo compreendi que estavam diante de uma enorme tarefa", diz Laverty. "Muitos trabalhadores não falavam inglês e chegavam lá ilegalmente. As empresas de conservação e limpeza não só lhes faziam ameaças de demissão, mas de deportação dos Estados Unidos. Para completar, muitos trablhadores tinham dois empregos, às vezes três se contarmos o fim de semana. Estavam exaustos. Isso, somado aos compromissos familiares, tornavam
a tarefa de organização incrivelmente difícil. Por razões objetivas e concretas muitos trabalhadores se sentiam atemorizados demais para se envolverem na luta. Por razões muito concretas muitos trabalhadores estavam desesperados por conseguir mudanças nas terríveis condições de trabalho. É uma escolha dramática."

"Tentamos ver Los Angeles de uma forma diferente daquela que vemos em geral nos filmes que dominam a TV: cheia de policiais com seus carros velozes e arruaceiros", diz Loach. "Queríamos dissipar a névoa da janela para ver as pessoas reais que existiam lá".

Ken Loach, Laverty e o pesquisador Pablo Cruz passaram vários meses entrevistando centenas de pessoas em Nova Iorque, Los Angeles, Tijuana e México até que encontraram os atores e atrizes principais, bem como o vasto elenco "multinacional".

O ELENCO

PILAR PADILLA - Maya
As atrizes de Los Angeles, cuja idade e conhecimento do inglês se adequavam ao papel de Maya, não tinham a necessária formação, naturalidade e consciência de classe que a personagem exigia.

Pilar Padilla, a jovem atriz mexicana que finalmente pegou o papel, não falava inglês e portanto não foi considerada a
princípio. Entretanto, durante as improvisações realizadas por Loach no México era ela quem contracenava com as outras candidatas.

Aos poucos e bastante naturalmente sua presença começou a roubar a atenção das câmeras até que se ficou óbvio que ela era a atriz de que precisávamos para o papel de Maya, uma personagem aguerrida e independente. Como Loach diz, "Pilar é muito direta, pode-se ler seus pensamentos. Tem grande espontaneidade e magnitude resplandescente".

Depois de fazer um curso intensivo de inglês de dois meses em São Francisco, Pilar chegou a Los Angeles para fazer seu primeiro filme. Sua experiência anterior como atriz foi em peças do teatro independente no México.
Pilar revelou que o trabalho com Loach foi a melhor experiência de sua vida "Acho que o segredo está na confiança que ele passa, confiança que se espalha por toda a equipe. Sempre pensei que filmes fossem para cameramen e diretores, não para atores. Mas agora sei que, para Loach, os atores vêm primeiro. Com Ken o set se torna um templo. Sou muito agradecida ­e sortuda".

ADRIEN-BRODY - Sam
O sucesso de uma campanha como a Justiça para os Zeladores precisava de pessoas com capacidade de ironia e imaginação prontas para entrarem em ação. "Quando criança, eu era revoltado, um encrenqueiro, e botei tudo isso em prática neste filme", diz Brody. Seu personagem, Sam, é o sindicalista menos sério e burocrático que se possa imaginar.

Sua carreira cresceu recentemente. Nos últimos anos fez filmes com diretores como Spike Lee, Berry Levinson, Steven Soderbergh e Terence Mallick. "Quando este filme apareceu, achei que realmente era diferente de Hollywood e dos temas de Hollywood. Acontece tudo em LA, mas num lado da cidade que ninguém vê."

Brody admite que teve muito o que aprender. Durante a preparação, teve que participar de reuniões, de marchas e conviveu com ativistas, "mas o maior aproveitamento foi durante um curso de fim de semana sobre organização sindical. Tive até que dividir o quarto!", se lembra rindo. "Ensinaram todas as técnicas sobre as táticas de ameaças usadas pelas empresas, até visita às casas, a como alcançar níveis de qualidade de liderança, ou identificar quem poderia ser de ajuda entre os trabalhadores. Basicamente táticas e estratégias..."

ELPIDIA CARRILLO - Rosa
Elpidia Carrillo ficou famosa por seus papéis nos filmes Salvador, de Oliver Stone, e The Border, de Tony Richardson. Sempre se percebia que ela seria a atriz ideal para fazer o papel de Rosa, irmã de Maya, uma mulher generosa que vai se endurecendo por ter tido sempre que lutar sozinha.

"É uma mulher mexicana que teve de lutar por trabalho durante quase toda sua vida", diz Elpidia, "portanto me identifico com isso. Ainda assim, Ken me pediu que fosse a Tijuana para conhecer as maquiadoras, as montadoras estrangeiras instaladas na fronteira, os subempregos onde a personagem trabalhava em condições sub-humanas quando jovem. Também fomos à Rua Coahuila onde estão todas as prostitutas. Acho que esta foi a parte mais difícil do 'dever de casa', uma coisa muito intensa, triste e deprimente."

Por morar em Los Angeles, Elpidia conhece muito bem a luta dos imigrantes. "É uma realidade concreta ali, porém a indústria de Hollywood não toca nela. A maioria dos filmes são de ação, com os bons e os maus, estes geralmente negros e latinos. Não querem mostrar o lado sujo de seu próprio país, não querem contar que existem muitas Tijuanas em Los Angeles."

GEORGE LOPEZ - Perez
O chicano George Lopez, que faz o papel de Perez, o supervisor, é muito conhecido em Los Angeles como comediante. Suas gags, de conteúdo social, falam da comunidade latina e tudo o que as afeta ­como a Lei 187, que tentou impedir que imigrantes sem documentação recebessem tramento médico.

ALONSO CHAVEZ - Ruben
Alonso Chavez, mexicano, faz o papel de Ruben, um dos companheiros de trabalho de Maya. Seu personagem não quer se envolver na luta porque isso pode ameaçar sua bolsa de estudos na universidade.

Na vida real, Alonso se tornou um 'coiote' por necessidade financeira. Desta forma acabou entrando nos Estados Unidos ilegalmente. Conseguiu trabalho em uma companhia independente de teatro em Los Angeles e depois ajudou o restante de sua própria companhia, do México, a atravessar a fronteira, a fim de que pudessem atuar numa peça em Los Angeles. Por um tempo, enquanto tentava conseguir emprego como ator, ele foi uma espécie de 'coiote' Robin Hood, ajudando amigos e parentes a atravessar a fronteira pagando pouco. Pão e Rosas é seu primeiro filme.

O DIRETOR

KEN LOACH

Mais uma vez, Ken Loach deu início à aventura de filmar em outro país e com personagens que basicamente falam espanhol ­como já havia feito em Terra e Liberdade e Uma Canção para Carla. Pão e Rosas fala da condição de ser imigrante. E em Hollywood, como de um modo geral, ele não é representado. É como o mundo dos escritores dos séculos dezoito e dezenove antes de Dickens, onde os trabalhadores são invisíveis. Para Loach, a questão dos imigrantes é, na essência, "uma evolução da questão de classe." Como alguém diz no filme, "não importa para o patrão se você é negro ou mulato se ele pode te
roubar. Quero dizer, os americanos ricos não têm nenhum problema com os mexicanos ricos."

Como fez com o grupo de milicianos e mulheres em Terra e Liberdade, com resultados extraordinários , em Pão e Rosas ele compôs um grupo de zeladores que conduz a história da campanha do Sindicato. "Tínhamos um grupo fantástico de zeladores e isso foi importante porque a força ou debilidade de um filme não está apenas nas pessoas que representam papéis principais, mas toda o entusiasmo e vitalidade delas."

Loach revelou que filmar em Los Angeles sob a regulamentação do sindicato foi uma experiência cheia de contradições. "Acho que pode-se ver o lado bom do sindicalismo, mas também os piores exemplos do sindicalismo, como quando os sindicatos se tornam sociedades auto-protetoras. Então, de novo, os americanos que fizeram o filme conosco foram magníficos ­comprometidos, leais e trabalharam duro.Tínhamos a impressão de que havia muitas pessoas boas, tentando fazer um bom trabalho, num meio alienante."

Filmar em Los Angeles é uma atividade muito regulamentada, mas nem sempre da forma mais lógica, conforme se recorda Loach. "Tínhamos que ser maliciosos em certas ocasiões e infringir as regras discretamente. Seguir as regras deles, ou contorná-las, ou encontrar uma outra saída diferente daquela que eles esperavam era sempre muito divertido ...como se fosse um garoto travesso de volta à sala de aula."

FILMOGRAFIA

Poor Cow
1970 Kes (Prêmio Karlovy Vary)
1972 Family Life
1979 Black Jack (Prêmio de Crítica Festival de Cannes)
1981Looks and Smiles (Prêmio Cinema Contemporâneo Festival de Cannes)
1986 Fatherland
1990 Agenda Secreta (Prêmio de Júri Festival de Cannes)
1991 Riff-Raff (Filme Europeu do Ano)
1993Raining Stones (Prêmio de Júri Festival de Cannes)
1994 Ladybird Ladybird (Prêmio de Crítica Festival de Berlim) 
1995 Terra e Liberdade (Filme Europeu do Ano / Prêmio Flix)
1996 Uma Canção para Carla
1998 Meu Nome é Joe (Prêmio de Público Festival de Cinema de Locarno / Prêmio de Melhor Ator Festival de Cannes / Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro Não-Americano Academia de Cinema da Dinamarca)

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