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Gregório: o poeta
irreverente A vida e obra de um dos
maiores nomes da literatura barroca brasileira, o poeta baiano Gregório
de Matos (1623-1696), chega às telas no oitavo longa-metragem da carreira
de Ana
Carolina Teixeira Soares (mesma
diretora de Amélia, Mar de Rosas, Sonho de Valsa e Das
Tripas Coração). O
filme, que se nega a ser biográfico ou documental, aborda desde sua fase
lírica do escritor, com muitos poemas que exaltam o amor e a religião,
como também explora sua obra satírica usada contra os políticos e
religiosos da época, que lhe valeram o apelido de Boca
do Inferno. Para interpretar um
poeta na ficção, nada melhor do que um poeta na vida real. Assim, Waly
Salomão encarna Gregório de Matos, o poeta maldito, que teve uma vida trágica,
mas produziu impressionante obra. Do que se sabe sobre sua história pouco
documentada, tira-se sua veia provocadora para com os poderosos, que ao
serem desafiados, tiram Gregório de cargos antes a ele confiados. Gregório
chegou a exercer os cargos de vigário-geral e tesoureiro-mor, sem usar as
roupagens eclesiásticas, como era obrigatório. Caído em desgraça, nada
mais lhe resta senão encarar as horas amargas da vida na colônia
explorada pelo comércio português e dominada por agiotas e por injustiças.
A partir disso, ele traça em seus escritos o perfil tenso e dividido do
povo brasileiro ainda em fase de formação. Interpretando
uma abadessa, a jornalista Marilia Gabriela serve de apresentadora do
personagem, narrando momentos importantes da vida do poeta e dando um
certo contraponto cômico em algumas cenas, quando os poemas são mais
jocosos e pornográficos. Com fotografia de Rodolfo Sanchez, Gregório de Matos foi todo rodado no Rio de Janeiro e Niterói em apenas dez dias de filmagens. No elenco, também estão Ruth Escobar, Guida Viana, Rodolfo Bottino, Tônio Carvalho, a cantora Virgínia Rodrigues, Xuxa Lopes e a poetiza Eliza Lucinda.
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