Invasões Bárbaras

O canadense Denys Arcand, diretor de O declínio do império americano (Le Déclin de l'empire américain, 1986), faz uma continuação da sua obra mais famosa. Com o reencontro dos mesmos personagens 17 anos depois, ele debate a queda do homem e de suas ideologias, em uma bem humorada crônica sobre a modernidade.

Em As invasões bárbaras (Les invasions barbares, 2003), o antes sexual e politicamente ativo professor de História Rémy (Rémy Girard) tenta se curar de um câncer em um agonizante hospital lotado de Quebec. A sua ex-mulher, Louise (Dorothée Berryman), que se separou por causa das infidelidades do marido, fica ao seu lado e tenta
um reencontro da família. 

Ela até consegue chamar de volta ao Canadá o filho do casal, Sébastien (Stéphane Rousseau), um bem sucedido corretor de ações no mercado inglês. Ele volta a contragosto por não ter tido boas relações com o Rémy. "'Ele é um capitalista puritano e eu sou um comunista voluptuoso", explica o enfermo no filme, sobre sua relação
com o filho. Mas, mesmo sem ver o pai há anos, Sébastien resolve reunir suas as amantes e os amigos de sua morte e até usar o seu "conhecimento" nos negócios para arrumar heroína para o pai, o até corromper o sistema de saúde canadense.

O questionamento das novidades tecnológicas aparece quando Rémy é obrigado a conversar com a sua filha pela tela impessoal de um computador. Ela vive em um veleiro pelo Pacífico. Apesar da frieza da tecnologia, ela supera distâncias. Em seus últimos dias de vida Rémy tenta se acertar com sua família. Porém, com o reencontro, renascem os conflitos.

O filme é o candidato canadense à disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro. No Festival de Cannes, em maio deste ano, conquistou o prêmio de melhor roteiro (do próprio Denys Arcand) e o de melhor atriz para Marie-Josée Croze (Nathalie, filha de uma das amantes de Rémy). E no Festival de Toronto 2003, recebeu o prêmio de
Melhor Filme Canadense. 

Site oficial: http://pyramidefilms.fr/les-invasions-barbares