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À Margem da Imagem O documentário À Margem da Imagem, do diretor niteroiense Evaldo Mocarzel, foi o grande vencedor da categoria no Festival do Rio e no Festival de Gramado de 2003. Ao focalizar as rotinas de sobrevivência, o estilo de vida e a cultura dos moradores de rua de São Paulo, o filme discute temas como exclusão social, desemprego, alcoolismo, loucura, religiosidade, espaços públicos contemporâneos, degradação urbana, identidade, alteridade e cidadania. A estética da miséria, a partir do roubo da imagem dessas comunidades, como propõe o título, promove uma abordagem ética dos processos de estetização da miséria. Antes da apresentação do filme no Festival do Rio, o diretor citou Eduardo Coutinho, que considera o documentarista maior do país. Mocarzel lembrou da inspiração "coutiniana" em sua obra e contou um conselho que recebeu do próprio Coutinho, para não ter medo de trabalhar com linguagem, pois cinema é linguagem. "Ele me ensinou a resgatar a humanidade do outro", disse. O filme é o primeiro de uma série de quatro. Os próximos serão: À Margem do Concreto, que tratará de ocupações; À Margem do Lixo, que mostrará os catadores de papel e À Margem do Consumo abordará o universo das favelas. A idéia para o documentário surgiu de um exercício realizado por Mocarzel em um workshop de cinema que aconteceu durante três meses em Nova York, em 1999; seu projeto, Pictures in the Park, queria discutir o roubo de imagem dos moradores de rua. O trabalho no Brasil se baseou nas pesquisas de Maria Cecília Loschiavo dos Santos, que durante cinco anos coordenou o projeto "Aspectos do Design no Habitat Informal das Grandes Cidades", que pesquisou o modo de vida dos moradores de rua das cidades de São Paulo, Los Angeles e Tóquio. Antes de virar um longa, a pesquisa gerou um curta-metragem com o mesmo nome, que também foi muito premiado.
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