A Noite Americana de cara nova

Um dos maiores clássicos do diretor francês François Truffaut, volta às telas em cópia restaurada: A Noite Americana (La Nuit Américaine). O filme foi o vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1974 e de Melhor Filme pela Associação de Críticos da França, Nacional dos EUA e de Nova York.

Com François Truffaut, Jacqueline Bisset (aos 29 anos), Valentina Cortese, Jean-Pierre Léaud, o longa-metragem é uma crônica de uma filmagem, com ênfase no diretor e suas dúvidas quanto a sua capacidade, as idiossincrasias e a pressão do produtor. Uma bela homenagem de Truffaut, que é co-roteirista e protagoniza o filme, ao cinema: ele chega a se retratar criança, furtando fotos de filmes (no caso Cidadão Kane, de Orson Welles) em portas de salas de projeção.

A história mostra como os bastidores de uma grande produção e a rede de relações que acontecem neles podem ser muito mais interessantes do que o próprio filme. No caso, o “filme dentro do filme” é um drama burguês de terceira categoria chamado “Eu vos apresento Pámela” (Je vous presente Pámela).

O alter-ego protagonista de Truffaut é o confuso cineasta Ferran. Enquanto Bisset encanta com toda a sua beleza, Cortese rouba a cena interpretando uma diva em crise. A trilha sonora tem a assinatura de George Delerue e o título se refere, como se sabe, ao efeito típico dos filmes hollywoodianos em que, por meio de um filtro, rodam-se cenas diurnas como se fossem noturnas.