TODO DIA É DIA MUNDIAL DE LUTA CONTRA A AIDS
por Luiz Antonio Sampaio*




Na
manhã de sábado, 25 de novembro, aconteceu mais uma edição do projeto PROFESSOR VAI DE GRAÇA AO CINEMA. O tema escolhido foi a AIDS, que o dia 1º de dezembro é o Dia Mundial da Luta contra a AIDS. Foram exibidos três curtas-metragens que abordam o assunto de diferentes formas.

Após a exibição, a coordenadora do projeto Felicia Krumholz apresentou os convidados e em seguida falou da importância que a questão tem para todos, principalmente para nossos alunos, e que deveria ser objeto de uma profunda discussão no seio de toda a sociedade.

Os convidados Roberto Pereira, psicólogo coordenador do Centro de Educação Sexual – CEDUS ; Claudia Costa, roteirista do filme Anjos da Asa Quebrada, e Sandra Filgueiras, psicóloga sanitarista, falaram com solidez e maturidade sobre o tema que é extremamente delicado. Os professores puderam trocar impressões com os três, que estiveram envolvidos diretamente no filme produzido pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro - SES/RJ.

O primeiro curta exibido foi pra Segurar!, de Eduardo Coutinho. Improvisações teatrais feitas por jovens atores e comentadas por adolescentes de uma escola pública e outra particular, a forma como os mesmos lidam com questões sobre AIDS, doenças sexualmente transmissíveis - DSTs, homossexualismo e o uso da camisinha, formam o argumento deste curta. No final do filme, os próprios atores também colocam sua visão sobre o assunto.

O segundo filme, Anjos da Asa Quebrada, de Jorge Ferreira, é uma produção da SES/RJ- Assessoria de DST/AIDS feita para chamar a atenção dos profissionais de saúde. O curta surpreeende pela abordagem comovente. A história é de Silvana Gomes dos Santos, doméstica, mãe de cinco filhos, soropositiva, que conta o drama que viveu quando tomou conhecimento de sua doença e que através da amamentação, transmitiu o vírus para o seu quinto filho. Os depoimentos de Silvana são muito fortes e muito bonitos, sensibilizando a todos. “A Silvana caiu do céu”, disse a psicóloga Sandra Filgueiras. Hoje, Silvana é uma combatente da AIDS. Além da participação da própria Sandra, o filme conta com depoimentos de outros especialistas da área de saúde.

O último filme da sessão (o mais divertido de todos), com uma linguagem ágil e descontraída, mostra como um tema tão sério pode ser abordado com uma dose de humor. Sem Camisinha Não Dá!, de Sérgio Goldenberg - e produzido pelo CECIP, como o pra Segurar!  - revela que a AIDS está presente também no universo dos meninos e meninas de rua, e estes através da sua falta de informação estão mais vulneráveis a contrair a doença. O filme de Goldenberg recebeu apoio da Organização Panamericana de saúde e foi o vencedor do Rio Cine Festival de 1992, e ainda contou com o prêmio de melhor ator.

O psicólogo Roberto Pereira, chamou a atenção para a necessidade dos professores pensarem abordagens alternativas e disse que a sexualidade deve ser tratada nas salas de aula sem medo. O aluno tem que se sentir à vontade para falar sobre sexo e os resultados mais positivos em relação a isso dependem muito mais da criatividade do educador do que propriamente de recursos para produzir uma cartilha, por exemplo. Roberto ainda destacou que é preciso sensibilizar outros profissionais da área de educação, e não os professores.

Sandra Filgueiras trouxe para a conversa questões discutidas no filme Anjos da Asa Quebrada, do qual participou. A partir daí, a troca de idéias e sugestões sobre como tratar o assunto, tão delicado, com os alunos se intensificou. Os educadores apresentaram muitas dúvidas e o encontro foi uma oportunidade para importantes esclarecimentos.

O debate contou também com a roteirista do filme Anjos da Asa Quebrada, Cláudia Costa, que assim como Sandra Filgueiras, trabalha na Assessoria de DST/AIDS da SES/RJ. Claudia disse que o papel do professor é fundamental para trabalhar a questão com os adolescentes, que a prevenção não pode depender apenas dos médicos. Destacou o depoimento de Silvana Gomes no filme. Para ela, Silvana tem um jeito especial de expressar como sua vida se transformou ao descobrir que era soropositiva.

A roteirista disse que existem no Rio de Janeiro (na SES/RJ) vídeos que podem auxiliar os professores. Os convidados ainda destacaram que as ONGs podem ajudar muito neste processo. As próprias escolas podem e devem montar feiras de saúde, aprofundando ainda mais o assunto AIDS e DSTs. Outras sugestões são esquetes teatrais, palestras com agentes de saúde, exibição de filmes, jogos, concursos de música e tudo mais que a nossa imaginação possa inventar para dialogar melhor com a juventude.

Outro aspecto discutido, foi a participação efetiva dos pais ou responsáveis pelos alunos nesses debates. Segundo Roberto Pereira, a escola deve realizar reuniões com esse importante grupo. Ele chamou a atenção para o fato de que os pais também necessitam esclarecimentos e desmistificar o assunto é fundamental. Essa prática faria com que eles pudessem participar mais da educação sexual dos seus filhos, abrindo mais um canal para o adolescente tratar este assunto. Em geral, os jovens conversam com os amigos.

Quanto ao uso da camisinha ficou muito claro que ela deve ser usada por todo mundo. Não existem mais os chamados “grupos de risco”, muitas pessaos que nasceram com o vírus, ou que o contraíram na infância (pela transmissão vertical, de mãe para filho, como é o caso discutido em Anjos da Asa Quebrada) estão chegando na idade adulta e não são necessariamente homossexuais ou usuários de drogas injetáveis. Mesmo quem foi contaminado pelo HIV deve continuar usando a camisinha. Além de outras DSTs, ela evita que o soropositivo aumente a sua carga viral ou que se torne portador de uma outra variação do vírus.

Os casais, homossexuais ou heteros, com relações estáveis e até idosos também precisam usar o preservativo. Estudos comprovam que a incidência de AIDS entre as pessoas da terceira idade é a que mais cresce. Homens e mulheres, ninguém pode marcar bobeira. O trabalho de prevenção desde criança é muito importante e as gerações mais novas são mais abertas ao uso da camisinha, os mais velhos são mais resistentes, mas também são eles que precisam dar o exemplo. Assim, a ação da escola junto aos pais se torna indispensável.

Propostas e iniciativas simples foram mencionadas e se forem postas em prática por nossos bravos professores, teremos no futuro, uma sociedade cada vez mais consciente. O assunto deve ser encarado com toda seriedade possível, para isso, a AIDS precisa ser discutida abertamente e com muita maturidade.

Onde encontrar vídeos interessante:

Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro
Rua México,128/ 6º andar Centro.
Tel: (21) 2299  58
www.
saúde.rj.gov.br/dstaids

Centro
de Criação e Imagem Popular – CECIP
Tel : (21) 2509 3812
www.cecip.
com.br


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Luiz Antonio Sampaio
é estudante de jornalismo e aceitou colaborar com o Oficina Cine-Escola como um exercício para sua formação.

Material de apoio para download, clique aqui (arquivo em .pdf, para abrir é necessário Adobe Reader).


Confira como foram as sessões anteriores...
 

Os professores que quiserem participar das próximas edições do projeto Professor Vai de Graça ao Cinema, devem entrar com contato com o Oficina Cine-Escola programa educativo do Grupo Estação por e-mail luizabrettas@grupoestacao.com.br ou pelo telefone (21) 2266-9900.
 



 

Fotos: Dominique Valansi