Uma
história de
fraternidade e
união
acima de
qualquer
fronteira
ou
disputa ideológica,
que se
passa na
época do
Natal
em
um front de
guerra, marcou a
última
sessão de 2006 do
projeto
PROFESSOR VAI DE
GRAÇA AO
CINEMA no
sábado,
dia 02 de
dezembro. Foi exibido o
longa-metragem
Feliz
Natal (Joyeux Noel)
indicado ao Oscar 2006 de
Melhor
Longa-Metragem
Estrangeiro.
A
idéia de
mostrar
este
episódio
incrível e
verídico ocorrido
durante a I
Guerra Mundial, nasceu
quando o
diretor
Christian Carion descobriu
em 1993 a
obra Battles of Flanders and Artois
1914-1918, de Yves Buffetaut. No
livro,
um
capítulo
era
inteiramente dedicado à
comunhão
entre
inimigos
em
plena
guerra,
com
direito à
um
jogo de
futebol,
troca de
cartas,
árvores de
natal e
até
um
tenor
alemão cantando
para
soldados franceses. O
diretor adorou a
idéia de
que a
cultura,
canções
populares e a
música silenciavam
canhões. “Todos
nós
que fizemos
Feliz
Natal estávamos pensando
nestes
soldados
que
corajosamente se confraternizaram. Na
época,
eles eram considerados
covardes.
Para
mim,
eles
não foram
nem
heróis
nem
covardes. Eram
simplesmente
homens
que realizaram
algo incrivelmente
humano”,
conta.
Para
manter o
clima de
festas,
sem
perder a
importância da
solidariedade, foram chamados
para o
debate
após a
sessão os representantes da
Campanha
Natal
Sem
Fome dos
Sonhos, Ruth Almeida e Maurício
Fabião.
A
campanha,
iniciada
em 2003
por Betinho, mudou
pela
primeira
vez de
conceito. A
fome
como uma
questão
vital do
país, foi transformada
em
políticas públicas de
transferência de
renda.
Assim, o
grupo
que
antes recolhida
alimentos,
agora dá
mais
um
passo na
busca da
inclusão
social das
classes
menos favorecidas
através da
cultura e do
lazer.
Para
isso, as
doações
agora vêm
em
forma de
livros infanto-juvenis e
brinquedos, levando o
lado
lúdico do
natal
para
crianças dos
bolsões de
pobreza, representando o
direito de
sonhar
por uma
vida
melhor.
Assim,
um dos
slogans da
campanha é: “Não
guarde
sonhos
em
casa, doe!”. Excepcionalmete, o
ingresso
para a
sessão foi uma
doação
para a
campanha e os
professores,
em
maioria, colaboraram
com
livros.
A
coordenadora do
Oficina Cine-Escola, Felicia Krumholz,
explicou
que o
filme foi
baseado
em uma
história
real e
que
todos os
exércitos envolvidos entenderam
que o
episódio foi uma
derrota.
Após os
eventos
que ficaram
conhecidos
como a
Trégua de
Natal, houve
um
embrutecimento da
guerra. A
propaganda
contra os
inimigos foi intensificada e os
altos
comandos prepararam
seus
exércitos
para evitarem
novas
tréguas,
qualquer
soldado
que tentasse
coisa
semelhante seria condenado à
pena de
morte
por
traição**.
“Para
professores
que tenham
atividades nas
férias,
Feliz
Natal é uma
ótima
opção. O
filme
mostra
que existe
algo
além da
guerra e
que temos
condições de
ultrapassar essas
barreiras. No Brasil,
hoje, vivemos uma
guerra
que,
até
não
chegar no
nosso
pedaço, a
gente finge
que
não
vê. O
que podemos
fazer
para
efetivamente
acabar
com uma
guerra?”, questionou Felicia.
Para Ruth Almeida, coordenadora do
Natal
Sem
Fome dos
Sonhos, a
guerra
que vemos no
filme,
nós vivemos no
Rio de
Janeiro diariamente.
Ela
mora
em
Santa Tereza e contou
que presenciou
vários
tiroteios. “Eu
fico
muito
triste. É a
nossa
função
sensibilizar a
sociedade
para
dar
um
fim a estas
mazelas. Falam
que
nossa
campanha é assistencialista,
mas
nós denunciamos a
fome
em
todo o Brasil.
Sempre cobramos
políticas públicas
para
dar
um
fim à
fome.
Bolsa
Família
só
não resolve. E
nossa
campanha
era
emergencial,
pois
como dizia Betinho, “quem
tem
fome tem
pressa”.
Não paramos a
campanha
contra a
fome”.
Ela
conta
que
com o
projeto dos
livros, a
Ação da
Cidadania,
entidade organizadora da
campanha, vai
fazer no
país
inteiro
cerca de 3.000
carrinhos de
leitura
para
incitar o
hábito de
ler e
levar
cultura
para diversas
comunidades.
Maurício Fabião, que também é professor, contou que hoje são dados
pelo governo 16 milhões em benefícios e 24% dos recursos do Bolsa
Família são desviados. “Várias famílias não recebem nada. O filme de
hoje fala de uma guerra e guerra é violência. Violência pode ser
entendida como violação de direitos. Quando uma pessoa nasce em
situação de miséria, ela já nasce sofrendo uma violência, por
privação de renda, saúde, alimentação e educação”.
“Nosso objetivo é contribuir para a inclusão social através da
leitura. Segundo o MEC, hoje no Brasil existem cerca de 32 milhões
de analfabetos funcionais. A dificuldade de leitura impacta até na
faculdade. Ter uma renda mínima ajuda a criança a entrar e a
permanecer na escola. O maior índice de adolescentes no tráfico é na
idade entre 13 e 15 anos, quando deveriam estar na escola. Crianças
têm direito a sonhar de ser engenheiro, médico e até professor, como
nós. Não de ser soldadinho [do tráfico]”.
*Imagens do site:
www.greatwar.nl
**ERRATA: Ao contrário do que foi dito na sessão, não há registro de
fuzilamento dos envolvidos na trégua de Natal de 1914.
Material
de
apoio
para
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página 1
e página 2
(arquivos
em
.pdf,
para
abrir é
necessário
Adobe Reader).
Leia também:
Quando a Paz Venceu a Guerra,
por Karla Hansen (Portal da Educação Pública)
Para saber mais sobre a Trégua:
http://www.greatwar.nl/frames/default-christmastruce.htm
http://www.firstworldwar.com/features/christmastruce.htm
Mais
informações sobre a campanha Natal Sem Fome dos Sonhos
www.acaodacidadania.com.br
Confira como foram as sessões anteriores...